No Dia Mundial da Saúde Mental, lembrado nesta terça-feira (10), o tema definido pela Organização Mundial da Saúde para este ano é a prevenção ao suicídio. A Coordenação Estadual de Saúde Mental, da Secretaria de Estado da Saúde, participou neste dia do evento ?Construindo consciência ? Reduzindo riscos: saúde mental e suicídio?, programado pela área técnica de saúde mental do Ministério da Saúde. Também foi distribuído um manual para a imprensa, elaborado pela Organização Mundial da Saúde, com orientações sobre o tratamento do tema no noticiário.
Além do lançamento do DVD da Estratégia Nacional de Prevenção ao Suicídio, houve uma mesa-redonda sobre a saúde mental no cenário contemporâneo, buscando qualificar o debate sobre a saúde mental e reafirmar os princípios da reforma psiquiátrica.
A prevenção do suicídio é uma das principais ações da Coordenação Estadual de Saúde Mental, da Secretaria de Estado da Saúde. ?Com a ampliação da rede de saúde mental, o Paraná tem condições de dar acompanhamento para as pessoas que tentam o suicídio, para que esse fato não volte a ocorrer?, afirma a coordenadora estadual do Programa de Saúde Mental, Cleuse Barleta. ?Para reduzir a reincidência das tentativas de suicídio, uma das ações é encaminhar os autores das tentativas aos ambulatórios dos postos de saúde e aos Centros de Atenção Psicossocial (CAPS), que se encontram nas principais cidades do Paraná?, acrescenta Cleuse Barleta. Hoje existem 61 centros implantados no Estado e mais 32 estão em implantação.
Segundo dados do Ministério da Saúde, o suicídio foi responsável por 7.729 mortes no país em 2002. Deste total, 6.028 (78%) correspondem a homens e 1.694 (22%) a mulheres. Jovens na faixa de 15-24 anos foram responsáveis por 1.638 (21%) das mortes. Considerando a projeção internacional da relação tentativa/suicídio para as populações geral e jovem, em 2002 a proporção seria de cerca de 700 mil tentativas na população geral e cerca de 33 mil na população jovem.
Segundo dados de 2001, a taxa de mortalidade por suicídio no Brasil foi de 4,5 mortes por 100 mil habitantes. A Região Sul foi a que apresentou o maior número de mortes por 100 mil habitantes no país: 8,5. No Paraná, Guarapuava, Ponta Grossa, Apucarana, Londrina e Colombo são os municípios com taxa de mortalidade por suicídio acima da média nacional.
Os mais vulneráveis
Segundo a Coordenação de Saúde Mental do Ministério da Saúde, são mais vulneráveis os indivíduos que já realizaram tentativas de suicídio, sem distinção de faixa etária ou gênero; populações jovens e idosas; populações residentes em instituições de longa permanência (clínicas, presídios e outros); adolescentes em situação de rua; indivíduos portadores de doenças crônicas (transtornos psiquiátricos e outras); usuários de álcool e drogas; pacientes portadores de HIV; populações jovens indígenas das etnias guarani, kaiowa e nhandewa.
Na Estratégia Nacional de Prevenção ao Suicídio, do Ministério da Saúde, este é um problema de saúde pública que afeta toda a sociedade e pode ser prevenido. Como medidas preventivas, a Coordenação de Saúde Mental do Ministério da Saúde recomenda esforços para reduzir o acesso a meios letais e métodos autodestrutivos e apoiar as iniciativas de regulação dos meios, como o controle de armas de fogo, o controle da fiscalização sanitária de pesticidas e produtos inflamáveis, a redução da quantidade de determinados medicamentos por frascos, a diminuição do volume dos frascos dos produtos inflamáveis assim como o seu estado físico e a diminuição do número de comprimidos psicoativos prescritos em cada receita médica.
Manual para a imprensa
Neste Dia Mundial da Saúde Mental, a Organização Mundial da Saúde também está distribuindo um manual de prevenção do suicídio para profissionais da mídia, preparado pelo Supre (Suicide Prevention Program), a iniciativa mundial da OMS para a prevenção ao suicídio. A disseminação apropriada da informação e o aumento da conscientização são elementos essenciais para o sucesso de programas de prevenção do suicídio, segundo o organismo internacional.
O manual recomenda, por exemplo, que a cobertura sensacionalista de um suicídio deve ser evitada, quando uma celebridade está envolvida. A cobertura deve ser minimizada até onde for possível. Qualquer problema de saúde mental que a celebridade pudesse apresentar deve ser trazido à tona. Todos os esforços devem ser feitos para evitar exageros. Deve-se evitar fotografias do falecido, da cena do suicídio e do método utilizado. Manchetes de primeira página nunca são o local ideal para uma chamada de reportagem sobre suicídio.