É inegável a reconstrução do prestígio abalado pelo episódio da quebra do sigilo bancário do humilde caseiro brasiliense, por parte do ex-ministro da Fazenda, Antônio Palocci, que em conseqüência da repercussão negativa do fato, afinal comprovado, não teve saída senão renunciar ao cargo.

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Poucos meses depois da renúncia, Palocci foi eleito deputado federal pelo PT paulista, e por um desses caprichos dos ventos políticos acabou preenchendo a função de principal consultor econômico do governo no Congresso, à vista da não-reeleição do deputado Delfim Netto, que, ao trocar o PP pelo PMDB, sofreu o primeiro revés eleitoral depois de quatro mandatos sucessivos na Câmara.

O próprio Delfim, prestes a completar 80 anos de idade, concluiu que era chegado o momento propício de sair de cena, embora a um leve aceno de aceitação o Palácio do Planalto não perderia a oportunidade de continuar contando com seus préstimos. Delfim deu preferência às atividades acadêmicas, se limitando a ministrar aulas especiais na Universidade de São Paulo (USP), e a escrever artigos semanais para algumas publicações de circulação nacional.

Por sua vez, o ex-ministro Antônio Palocci não perdeu a oportunidade de recuperar o terreno perdido com o lamentável incidente proporcionado por suas relações pessoais com os remanescentes da suposta República de Ribeirão Preto, rico município paulista, do qual havia sido prefeito até sair para coordenar a primeira campanha presidencial de Lula.

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Médico de formação, Palocci não teve dificuldades em absorver as nuanças das ciências econômicas e sua aplicação na administração pública, mesmo ao enfrentar os pesados desafios da complexa gestão das finanças federais. Na realidade, o afastamento do ministro não se deveu a quaisquer problemas detectados na forma de administrar a economia do governo federal, tanto que chegou a receber caudalosos elogios até mesmo do secretário do Tesouro norte-americano.

A atuação de Palocci como consultor do governo, sobretudo na questão da CPMF, está sendo fartamente elogiada. Alguns críticos afirmam que se o presidente da República tivesse confiado ao ex-ministro a condução das entabulações com a oposição, teria sido possível evitar o arquivamento da medida no Senado.

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Diante da convicção do próprio Lula, comenta-se em Brasília que, apesar das dificuldades de ordem política, não será surpresa se no próximo ano um papel mais relevante na linha de frente venha a ser confiado ao ex-ministro. A conferir.