O presidente Luiz Inácio Lula da Silva deu sinais ontem de que resistirá a participar de debates no primeiro turno das eleições. Em entrevista ao SBT Brasil, no início da noite, Lula não descartou a possibilidade de ficar frente a frente com os adversários, mas frisou que as suas atribuições de presidente dificultam a participação nesses confrontos, alegando que precisa "preservar a Constituição" e que "não vai faltar oportunidade de debate".

Lula afirmou que não conhece as regras desses programas e teme que os outros candidatos usem o espaço para, em vez de discutir propostas, fazer perguntas não pertinentes à campanha. Ele destacou ainda que o presidente é uma instituição que deve ser preservada.

"Quando ele (o presidente) vai ao debate, é preciso saber quais as regras serão estabelecidas, porque muitas vezes as pessoas agem com uma insanidade desproporcional para um debate político" afirmou. "Adoro ser provocado em debates, o problema é que não estarei apenas como candidato. Se acontece alguma coisa séria no Brasil enquanto estou lá, deixo de ser candidato para ser presidente.

Ele evitou criar polêmica sobre os petistas que se envolveram em escândalos de corrupção e até agora não foram expulsos pelo partido. Indagado se eles não feriram a ética do PT, Lula disse que prefere não julgar seus companheiros antes que a Justiça determine se eles são culpados ou não.

"As denúncias foram feitas e o governo apurou. Se a Justiça disser que eles têm culpa, serão expulsos, se não, não há motivo para tanto", afirmou. "Não podemos fazer julgamentos precipitados só para mostrar para a imprensa que tomamos uma posição firme.

Lula evitou falar do que deixou de fazer nos três anos e meio de mandato para valorizar os seus feitos. "O povo está comendo mais. Uma lata de óleo que custava R$ 2,80 hoje está R$ 1,30.

O SBT informou que não houve nenhuma precondição para a entrevista.