Levando adiante seu enfrentamento com o presidente venezuelano, Hugo Chávez, o candidato presidencial do Partido Aprista Peruano Alan García, reiterou ontem sua intenção de formar "alianças positivas" na região com os presidentes do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva, e do Chile, Michelle Bachelet. De modo genérico, García voltou a elogiar Lula, pelo que chamou de "condução de uma mudança responsável", e Bachelet, pela "construção de um governo capaz de unir a sociedade chilena"

Essa aliança, caso García vença, se daria "de acordo com a dinâmica das relações bilaterais". A declaração visa a reforçar a imagem de que o ex-presidente representa a centro-esquerda democrática, em contraposição à influência de Chávez e do cubano Fidel Castro, que, de acordo com os apristas, promovem a campanha de seu adversário para a eleição de domingo, o candidato nacionalista Ollanta Humala

Na entrevista coletiva que concedeu na sede da emissora Radioprogramas do Peru, García voltou a atacar Chávez. "Trata-se de alguém que canta slogans contra o império e grita insultos contra (o presidente americano, George W.) Bush, mas vende aos EUA bilhões de dólares em petróleo por mês. Uma coisa é o que ele diz, outra é a que ele faz", afirmou

Declarações semelhantes, numa das quais García qualificou Chávez de "sem-vergonha", abriram a série de impropérios entre os dois, que resultou na retirada dos respectivos embaixadores de Caracas e Lima. García acrescentou que, no dia seguinte ao das eleições, as relações entre Peru e Venezuela se normalizarão

"Depois das eleições, o comandante Chávez não terá mais razões para manter o conflito diplomático com o Peru." García disse ainda que, se vencer, não descartará a possibilidade de utilizar o mecanismo constitucional que permite ao presidente dissolver o Congresso, caso os congressistas eleitos em 9 de abril tentem obstruir seu governo

Pela Constituição, o presidente tem a atribuição de fechar o Congresso e convocar novas eleições legislativas se os congressistas rejeitarem seguidamente o voto de confiança ao gabinete escolhido pelo chefe de Estado. Os apristas obtiveram apenas 36 das 120 cadeiras do Congresso e dependeriam do apoio de outros partidos para aprovar seus projetos. A coalizão União pelo Peru, de Humala, terá a maior bancada, com 46 deputados

Mantendo o presidente venezuelano no centro dos debates a apenas quatro dias da eleição, Humala também criticou a interferência de Chávez nos assuntos peruanos. Mas desafiou García a responder as acusações de Chávez de que ele é "corrupto e ladrão". Falando à América TV, Humala rejeitou os boatos de que seus partidários estariam preparando ações de violência, caso o resultado da eleição não o favoreça, e atribuiu a autoria dos boatos a García