Brasília – Os três senadores acusados de envolvimento no esquema de compra de ambulâncias a preços superfaturados, com recursos do Orçamento, escaparam da cassação. O presidente do Conselho de Ética, senador João Alberto (PMDB-MA), negou a existência de um acordo para absolver os parlamentares.

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?Nunca, em momento algum, qualquer pessoa me falou de acordo ou qualquer coisa parecida. Acho que foi ânimo do colegiado?, afirmou. Segundo ele, foi preservada a ética: ?Não podemos falar em ‘pizza’. É que não foram encontradas provas. Acho que não estamos todos errando ao mesmo tempo. Só em um item houve discrepância?.

O Conselho de Ética julgou hoje (28) os processos envolvendo os senadores Ney Suassuna (PMDB-PB), Serys Shlessarenko (PT-MT) e Magno Malta (PL-ES). Os nomes haviam sido enviados ao colegiado pela Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) dos Sanguessugas.

Por falta de provas, os processos contra Serys Shlessarenko e Magno Malta foram arquivados. No caso de Ney Suassuna,  foi aprovada por 12 votos a dois a aplicação de uma censura verbal, pelo presidente do Conselho de Ética. De acordo com o relator do voto em separado, senador Wellington Salgado (PMDB-MG), não há indícios de que Suassuna tenha recebido vantagem do esquema. A censura verbal foi sugerida porque ele entendeu que o senador paraibano deixou de observar deveres e preceitos inerentes ao mandato ? Suassuna havia reconhecido que uma ex-assessora teria assinado um documento no nome dele.

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Suassuna disse que não merecia censura verbal, porque não cometeu irregularidades, e argumentou que os funcionários foram demitidos e processados assim que soube de suspeitas contra eles. Também para o senador, não houve ?pizza? no Conselho. ?Só na cabeça de vocês, ou melhor, de alguns da imprensa que acham que todo parlamentar é bandido e tem que ser punido para sempre. Isso não é verdade", afirmou. Suassuna não foi reeleito e informou que voltará a seus negócios particulares ao final da legislatura.

Relator do processo contra Magno Malta, o senador Demóstenes Torres (PFL-GO) considerou "absolutamente justa" a avaliação. ?Pode submeter a qualquer jurista, qualquer pessoa que entende de direito vai ver que encaminhei dentro da prova?, afirmou, acrescentou que "foi restabelecida a verdade".

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Para ele, a CPMI dos Sanguessugas deveria ter investigado mais, antes de enviar relatório ao Conselho de Ética. ?Sinto alívio porque a justiça que não foi feita na CPMI, foi feita aqui. Porque se tivessem estudado os documentos, não chegaríamos a esse momento", acrescentou Malta. 

A senadora Serys Shlessarenko disse ter sido alvo de "grande injustiça" e rebateu a acusação de que haveria acordo para a absolvição: ?O relatório é a prova de que não é ‘pizza’ e tem todas as provas da minha inocência?.