O Dia Nacional Contra o Aumento Abusivo das Mensalidades, promovido pela União Nacional dos Estudantes (UNE), no dia 8 de novembro, pode se desdobrar em uma "radicalização maior do movimento", caso as instituições anunciem reajustes sem que haja prévia negociação.

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A afirmação foi feita neste sábado pelo presidente da União Nacional dos Estudantes (UNE), Gustavo Petta. Na data, houve protestos nas capitais e ocupação simbólica do Congresso Nacional por 200 estudantes

"Mobilizações estão acontecendo no Brasil inteiro, e é lógico que nas instituições em que o aumento for anunciado de maneira mais abusiva, haverá uma pressão maior nesse sentido. Isso varia de instituição para instituição", disse o líder estudantil, que entregou ao presidente da Câmara dos Deputados, Aldo Rebelo (PCdoB-SP), um novo projeto de Lei das Mensalidades.

O estudo prevê o condicionamento do reajuste da mensalidade à negociação, com base nas planilhas de custo, por uma comissão formada por pais, alunos, funcionários e representantes da instituição; a permissão de reajuste somente até o limite do índice de inflação; a fixação do prazo de 120 dias para o anúncio do aumento das mensalidades, ao invés dos 40 dias exigidos atualmente; e a garantia de matrícula do inadimplente em caso de sinalização de parte do pagamento das mensalidades.

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De acordo com Gustavo Petta, hoje, as mensalidades acabam sendo reajustadas, muitas vezes, sem nenhum tipo de justificativa, e isso vai acabar. Ele destacou outro benefício da nova lei: o impedimento de expulsão ou desligamento sumário dos alunos inadimplentes. "Ela amplia a possibilidade de negociação dos alunos inadimplentes". Para a UNE, a lei é importante porque garante a democracia e o espaço para o diálogo dentro das instituições.

O presidente da UNE esclareceu que nas instituições particulares os aumentos variam muito. Enquanto algumas instituições promovem reajustes abaixo da inflação, em outras, os aumentos chegam a 15 e até a 20%.

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"Não temos ainda um dado total desse processo porque o aumento só é anunciado de maneira obrigatória em dezembro, 40 dias antes do último dia de matrícula", observou Petta. Para ele, isso "impede que haja negociação", uma vez que o estudante ou o pai de aluno volta das férias e acaba surpreendido com o novo valor já implementado.

Segundo Petta, o presidente da Câmara garantiu que a proposta terá tramitação rápida no Congresso Nacional. A proposta da UNE tem apoio das lideranças do Partido Socialista Brasileiro (PSB), do Partido Comunista do Brasil (PC do B), do Partido dos Trabalhadores (PT), do Partido Democrático Trabalhista (PDT) e também de deputados de outros partidos, afirmou Petta.

"Acho que a gente tem a possibilidade de, com pressão e mobilização no país inteiro, aprovar essa lei o mais rápido possível. Essa lei beneficia os estudantes, mas, também beneficia os pais de alunos porque altera a mensalidade e a maneira de reajustar a mensalidade das instituições universitárias e, também, das escolas", sintetizou.