O presidente da Fundação Petrobras de Seguridade Social (Petros), Wagner Pinheiro, acusou o deputado Antônio Carlos Magalhães Neto (PFL-BA) de tentar desviar o foco da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) dos Correios para uma investigação sobre os fundos de pensão. ACM Neto divulgou na semana passada um relatório que aponta um prejuízo de R$ 779 milhões em 14 fundos de pensão investigados por suspeita de desvio de recursos com fins políticos.
"O que foi divulgado foi um relatório parcial, que mais parece um rascunhão e joga lama contra todo o sistema de previdência", reclamou. "Parece que ele (ACM Neto) tenta aumentar a crise e prolongar as investigações sobre os fundos."
O presidente da Caixa de Previdência dos Funcionários do Banco do Brasil (Previ), Sérgio Rosa, concorda com a análise de Pinheiro. "Acho que tem grandes sinais nesse sentido", observou. "Acho que o tratamento dado aos fundos de pensão foi desproporcional às provas encontradas. (…) Houve um exagero. Nada que apareceu merece esse destaque", afirmou.
Assim como a Petros, a Previ também pedirá esclarecimentos sobre vazamento de informações sigilosas. Isto porque a maioria dos dados que sustentam o relatório apresentado pelo deputado do PFL da Bahia são sigilosos e foram passados pela Comissão de Valores Mobiliários (CVM) à CPI. "Houve um descumprimento do dever constitucional com o vazamento de informações sigilosas. A quebra de sigilo era apenas para que a CPI pudesse fazer sua investigação", disse.
A Petros quer ainda saber quais os critérios e as metodologias aplicadas para se chegar ao resultado do documento. Além disso, requereu à CVM informações mais detalhadas sobre operações realizadas nos últimos cincos anos. "Isso pode ajudar a se desvendar como se chegou nesse relatório, que atinge a imagem da Petros", concluiu.


