O presidente da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), Roberto Busato, disse hoje que agiram como criminosos os responsáveis pela violação do sigilo bancário do caseiro Francenildo Santos Costa. Para Busato, quem burlou a lei para abrir a conta de Francenildo cometeu crime qualificado, com o agravante de tentar intimidar a testemunha. "É um típico jogo de gangsters, de tentar desqualificar a pessoa que fez a denúncia, em vez de promover a defesa de quem está sendo atacado", argumentou. "Não é possível ficarmos reféns de um bando de imorais que quer interromper todo o processo de investigação para que os delitos não sejam punidos", protestou.

As palavras do caseiro, segundo o presidente da OAB, lhe pareceram "absolutamente contundentes contra, talvez, a segunda figura do governo, que é o ministro da Fazenda". "O caseiro não está sendo investigado, é uma mera testemunha e o que houve foi que tentaram desqualificá-lo para prejudicar a investigação contra a segunda maior figura do governo federal", afirmou. Busato comparou a reação contra o caseiro com a atitude do governo de proteger o ex-caixa de campanha de Lula e atual presidente Serviço Brasileiro de Apoio a Micros e Pequenas Empresas (Sebrae), Paulo Okamoto. Além de contar com o apoio dos aliados do Planalto na CPI, Okamoto obteve apoio dos governista quando requereu e obteve dos liminares do Supremo Tribunal Federal (STF) impedindo a abertura de suas contas bancária, fiscal e telefônica.

"O que torna o fato mais grave é que foi usado o sigilo para proteger o Paulinho Okamoto, ele é amigo do presidente Lula e estava sendo acusado de ter usado sua conta bancária para pagar despesas não muito claras do presidente", argumentou.

Roberto Busato lamentou o fato de a OAB não ter legitimidade para tomar medidas neste caso, mas exortou a sociedade a "exigir uma completa apuração". "Ou seja, precisamos saber se isso veio da Polícia Federal ou do Ministério da Fazenda, afinal de contas a Justiça existe para todos", defendeu O presidente da Ordem disse esperar que o Ministério Público acolha a denúncia feita hoje pelo advogado de Nildo, Wlicio Chaveiro Nascimento, e que puna exemplarmente os responsáveis.

Ele lembrou que, desde o início, o governo do presidente Lula tentou impedir o funcionamento da CPI dos Bingos, "apesar de declarar descaradamente que é o governo que mais investigar", rebateu. "Na verdade, é o que mais impede a investigação de fatos delituosos", criticou. Como prova, disse que em nenhum momento o Planalto se mexeu para investigar a denúncia de que o ex-chefe de Assuntos Parlamentares da Presidência Waldomiro Diniz cobrava propina de empresários para custear campanhas de candidatos petistas. "Waldomiro Diniz não foi exonerado, o governo nunca veio a público pedir uma investigação e talvez por isso tenha deixado implodir toda a corrupção que estamos vendo agora", alegou. Busato reiterou que, "o que está havendo, é a tentativa de impedir uma testemunha chave de falar".