Presidente da Beija-Flor nega envolvimento com máfia

Um dos presos por suposto envolvimento na máfia dos caça-níqueis Aniz Abraão David, presidente de honra da escola de samba Beija Flor, alegou que US$ 40 mil dos US$ 47 mil apreendidos na casa dele pela Polícia Federal teriam sido declarados em 2006 à Receita Federal. O restante do dinheiro seria declarado neste ano. "Essa coisa de guardar dinheiro em casa é subjetivo, tem gente inclusive que carrega cédulas na cueca", disse rindo o advogado de David, Ubiratan Guedes. Ele referia-se a José Adalberto da Silva, assessor de um irmão do deputado José Genoino, preso com dólares na cueca em 2005, em São Paulo, pela PF.

O advogado Ubiratan Guedes disse que Aniz Abraão David está "chateado" por ter o nome envolvido no esquema de jogos de caça-níqueis. Guedes contou, no entanto, que a maior queixa do cliente é por causa da suspeita levantada pelos agentes federais de que o campeonato da Beija-Flor neste ano foi comprado. A suspeita foi levantada pelo delegado federal Emanuel Henrique Oliveira, que acusou ainda o presidente da Liga das Escolas de Samba, Aílton Guimarães, também preso pela operação Hurricane, de participar da manipulação do resultado do carnaval.

David também negou que tenha comprado delegados para combater os negócios do bicheiro Antônio Petrus Kalil, o Turcão, que seria hoje o mais poderoso bicheiro do Rio. David e Turcão, por ironia dividem a mesma cela na superintendência da Polícia Federal em Brasília. "Isso é uma loucura", se queixou o advogado Ubiratan Guedes. "O Aniz inclusive dá água e remédio para o seu Antônio, companheiro dele de cela", disse Guedes. Na casa de David, a Polícia Federal também apreendeu quatro carros de luxo.

O depoimento do presidente de honra da Beija-Flor durou 22 minutos, segundo o advogado. Aniz Abraão David respondeu 15 perguntas. A Polícia Federal quis saber a relação dele com delegados, juízes e desembargadores presos na operação. David respondeu que não atuava no setor de caça-níqueis. A defesa dele pediu o relaxamento da prisão.

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