A importância dos mercados internacionais consumidores de soja convencional, principalmente o europeu e o asiático, vem sendo destacada pelo superintendente da Administração dos Portos de Paranaguá e Antonina (Appa), Eduardo Requião, como o principal motivo para que o Brasil, e especialmente o Paraná, mantenha a lavoura tradicional.

?Dezenas de visitas feitas por franceses, japoneses, coreanos, chineses e, até mesmo, americanos ao Paraná serviram como um fiel exemplo do que o mercado comprador quer: soja não-transgênica para consumo humano?, destaca o superintendente.

Por sua vez, entidades, que num passado recente se intitulavam representantes dos produtores de soja e posicionavam-se radicalmente contra os transgênicos, hoje defendem os produtos geneticamente modificados, lamenta Eduardo Requião.

?Infelizmente, as opiniões registradas se contrapõem ao que hoje muitos dizem em palanques oposicionistas. Discursos claramente políticos, em nome de interesses desconhecidos por nós, mas que denotam falta de coerência e desrespeito ao Paraná?, diz Eduardo Requião, que acrescenta: ?A questão da transgenia, que para o governo do Estado é séria, para os opositores se transformou em questão política?.

O dirigente portuário exemplifica posicionamento de entidades como a Federação da Agricultura do Paraná (Faep), responsável pela liminar que pretende obrigar o Porto de Paranaguá a embarcar soja transgênica, e que hoje defendem os interesses da empresa americana Monsanto, que detém a patente dos transgênicos e dos venenos usados nesse tipo de lavoura.

Questionamento

Eduardo Requião enfatiza que a Faep se diz representante de 85 mil produtores, entretanto, não menciona, por exemplo, o agricultor Manoel Henrique Pereira, um dos maiores produtores de soja do Paraná e que afirma que não vai cultivar nenhum grão de soja geneticamente modificada.

?Não cita que empresas como a Nestlé ? a maior do mundo em produtos alimentícios ?, que decidiu banir o uso de transgênicos, e também não menciona a placa na entrada da sede da Incopa, em Araucária (PR), que comunica que aquela fábrica recebe somente grãos de soja não-transgênica, ou a Cotriguaçu e tantos outros?.

A soja transgênica, informa a Appa, tem perdido mercado para a soja convencional conforme os vários estudos que tenho avaliado. ?Para desespero de nossos concorrentes, a União Européia e Ásia estão cada vez mais restritivos com relação ao uso da soja transgênica?, afirma.

Memória

Em junho de 2002, durante o seminário franco-brasileiro ?Exportação de Soja Não-Transgênica: Restrições e Oportunidades para o Brasil?, realizado em Brasília, o representante da Organização da Cooperativas do Brasil (OCB), Luiz Roberto Baggio, disse que a França, tradicional parceiro comercial, pode deixar de comprar a soja brasileira caso o país não crie regulamentação capaz de comprovar que o produto exportado não é transgênico.

Na época, Baggio afirmava que ?O Brasil corre sério risco de perder espaço em importantes mercados, como a Europa e a Ásia, se não se conscientizar dessa necessidade e certificar urgentemente a soja, oferecendo instrumentos claros de informação sobre as condições de plantio da oleaginosa no território nacional?. Atualmente, Baggio é conselheiro da OCB, representante do ramo agropecuário.