O presidente de Cuba, Fidel Castro, publicou nesta quarta-feira (4) o seu segundo artigo em menos de uma semana combatendo o acordo de cooperação firmado entre os Estados Unidos e o Brasil para incentivar a produção de etanol. Em um longo texto veiculado no jornal oficial Granma, intitulado "Reflexões do Comandante-chefe", o líder cubano acusou o presidente americano, George W. Bush, de promover a "internacionalização do genocídio" ao incentivar o uso de biocombustível no mundo. "De onde sacarão recursos mínimos para sobreviver os países pobres do Terceiro Mundo?", perguntou Fidel. "Não exagero nem uso palavras descabidas, apenas me atenho aos fatos.
"Onde e quem vai abastecer os mais de 500 milhões de toneladas de milho e outros cereais que Estados Unidos, Europa e os países ricos necessitam para produzir a quantidade de galões de etanol que as grandes empresas americanas e de outros países exigem?", indagou Castro, no artigo desta quarta-feira. Para o líder cubano, "esse colossal desperdício" de colheitas para fabricar combustível só serviria para que os países ricos economizassem menos de 15% do consumo anual de seus "vorazes" automóveis, sem obrigá-los a um desenvolvimento sustentável.
Em seu artigo anterior, publicado em 29 de março, o presidente cubano dissera que mais de 3 bilhões de pessoas morrerão de fome e sede por causa do plano de substituir parte da gasolina por etanol. Para ele, haverá falta de terras para produzir alimentos. Brasil e Estados Unidos defendem o projeto como solução energética menos poluente, além de alternativa para reduzir a dependência do petróleo.
Há 8 meses se recuperando de uma cirurgia – período durante o qual o governo foi para as mãos de seu irmão Raúl -, Fidel criticou a reunião do presidente Luiz Inácio Lula da Silva com Bush, em Camp David, no último sábado. "Bush declarou a sua intenção de aplicar esta fórmula em nível mundial, o que não significa outra coisa a não ser a internacionalização do genocídio.
Fidel também alfinetou Lula, embora não tenha citado o seu nome, ao afirmar que "Bush não fez a mínima concessão" a respeito das reivindicações para a redução dos subsídios concedidos aos produtores americanos. E completou: "Não é minha intenção lamentar pelo Brasil nem me intrometer em assuntos relacionados com a política interna desse grande país.