Presidente comemora pagamento ao FMI na televisão

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva fez hoje (16) um pronunciamento em rede de rádio e TV para celebrar a quitação antecipada da dívida do País com o Fundo Monetário Internacional (FMI). O pagamento permitirá "investir mais em favor do nosso próprio povo" e produzirá efeitos positivos que serão sentidos por quase todos os brasileiros, disse Lula, ao prever que ao longo de 2006 praticamente não haverá aumento de aluguel nem das tarifas de telefone e eletricidade.

"A redução da dívida traz benefícios para todos os brasileiros. Com a economia de milhões e milhões de dólares em juros vamos poder investir mais na educação, na saúde e nas estradas", disse o presidente. "Ao mesmo tempo, nossa economia fica menos vulnerável aos choques externos. Ou seja, se houver uma crise financeira internacional, não vamos mais estar à beira da falência como ocorreu em 1998", completou, dizendo ainda que na época o País teve que "mendigar ajuda mundo afora".

Lula aproveitou o tempo na tevê para falar de dados econômicos. Disse que seu governo "derrotou a inflação" e "garantiu a estabilidade". "Reduzimos em mais da metade a inflação que herdamos e fechamos 2005 com alguns dos melhores índices da história do país. O IGP-M, por exemplo, teve uma inflação acumulada de apenas 1,21%, a menor já registrada", afirmou. E aproveitou para garantir: "Isso significa que, em 2006, praticamente não vai haver aumento no seu aluguel, no seu telefone e na sua eletricidade. Isso mostra como vale a pena fazer um sacrifício temporário para se ter um resultado duradouro depois. Isso prova como vencer a inflação é, antes de tudo, defender o dinheiro dos mais pobres e da classe média, porque os ricos sempre sabem como se defender".

O pronunciamento teve cerca de nove minutos. O presidente aproveitou para destacar os investimentos feitos na área social por seu governo – o que, na avaliação do Palácio do Planalto, tem tido pouco destaque. "Quando assumimos o governo, o País investia R$ 7 bilhões em programas sociais. Em 2005, aplicamos R$ 17 bilhões. E este ano vamos chegar a R$ 22 bilhões beneficiando diretamente 40 milhões de brasileiros pobres", disse o presidente.

O pagamento da dívida com o FMI antecipadamente foi bem visto pelo mercado, por empresários e até pela oposição, mas setores de esquerda do próprio PT e de outros partidos criticaram a medida, alegando que o governo estava gastando com o Fundo dinheiro que poderia ser investido em programas sociais. Dentro do governo, a avaliação foi de que o fato foi mal compreendido pela população e mal explorado pelo governo. O pronunciamento de Lula, o primeiro depois do feito em 7 de setembro do ano passado, uniu as duas coisas.

O presidente terminou o pronunciamento afirmando que "2006 será um ano de grandes conquistas. "Um governo que tem apenas o braço social, não passa de um governo caridoso. Isso é bom, porém insuficiente. Um governo que tiver apenas o braço econômico é pobre em valor humano. A ele faltaria a coisa mais importante: o coração", disse.

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