O primeiro-ministro iraquiano, Nouri al-Maliki, criticou duramente nesta segunda-feira (07) uma operação promovida pelos militares dos Estados Unidos contra o reduto de uma milícia xiita em Bagdá, e garantiu aos iraquianos que tal tipo de ação "não ocorrerá novamente".

Al-Maliki referia-se aos bombardeios aéreos e ação no solo realizados pelos americanos na madrugada de hoje em Cidade Sadr, bastião do clérigo radical xiita Muqtada al-Sadr e sua milícia, Exército Mahdi. Segundo a polícia, três pessoas, entre elas uma mulher e uma criança, foram mortas na operação, que o Comando Central dos EUA disse visava "indivíduos envolvidos em células de punições e torturas".

Um soldado americano ficou ferido. Os milicianos xiitas pararam de disparar contra os americanos quando receberam instruções de comandantes, afirmou o chefe de polícia de Cidade Sadr, coronel Hassan Chaloub. Al-Maliki, um xiita, afirmou ter ficado "muito irritado" com a operação, e advertiu que ela pode minar seus esforços pela reconciliação nacional. "Reconciliação não pode ocorrer paralelamente a operações que violam os direitos dos cidadãos dessa forma", disse al-Maliki na televisão governamental. "Essa operação usou armas que são desproporcionais para se deter alguém – como aviões". Ele pediu desculpas ao povo iraquiano e prometeu que "isso não ocorrerá novamente".

Tensões entre o Exército dos EUA e o governo iraquiano emergiram depois que os americanos lançaram uma nova operação militar visando aumentar a segurança nas ruas de Bagdá após um forte aumento da violência entre xiitas e sunitas – atribuída em grande parte à milícia de al-Sadr.

Al-Sadr tem se constituído numa destacada figura na majoritária comunidade xiita e um forte aliado de al-Maliki. As declarações do premier sublinham as dificuldades que os americanos enfrentam para impor a ordem em Bagdá, num momento em que os iraquianos se mostram cada vez mais ressentidos com a presença das forças estrangeiras no país.

Recentemente, o embaixador britânico em Bagdá advertiu que existia o risco de a milícia de al-Sadr tornar-se tão influente no Iraque quanto o xiita Hezbollah no sul do Líbano.

Depois dos ataques em Cidade Sadr, o presidente Jalal Talabani, um curdo, reuniu-se com o comandante militar dos EUA no Iraque, general George W. Casey Jr., para discutir sobre operações de segurança em Bagdá. Talabani relatou ter dito a Casey que "não é do interesse de ninguém entrar em confronto" com o movimento de al-Sadr.