Apesar do esporte ser tratado como um dos melhores instrumentos para a inclusão social, as prefeituras brasileiras não investiram sequer 1% de seus orçamentos em projetos esportivos no ano de 2003.

Menos da metade dos 5.557 municípios do país tinham parcerias ou convênios voltados para o esporte, que também não era praticado em 88% das escolas públicas devido à falta de instalações.

A radiografia da situação do esporte nos municípios brasileiros em 2003 está no Suplemento de Esporte da Pesquisa de Informações Básicas Municipais (Munic) do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), divulgada hoje (24).

O estudo mostra que embora quase todas as prefeituras brasileiras (93,6%) tenham realizado eventos esportivos, as estruturas financeira, institucional e de pessoal, além de equipamentos e instalações, ainda eram muito deficientes.

Dos 64,6 milhões de funcionários públicos municipais, apenas 4,5 milhões (1,4%) trabalhavam com esporte, sendo que a maior concentração era nas regiões Sudeste (49,6%), Nordeste (21,3%) e Sul (18,9%). A maioria do pessoal era de nível técnico (64%), ou seja, não tinha especialização em Educação Física.

Em 2003, menos de mil cidades (16,6% do total) no país receberam transferências da União ou dos estados para gastos com desporto e lazer. O número, segundo o estudo, foi menor do que no ano anterior, quando 19,2% dos municípios receberam repasses.

O suplemento confirma que o Brasil é mesmo o país do futebol: 94,5% das prefeituras realizaram eventos nessa modalidade em 2003. Os campos de futebol estavam presentes em 74,8% dos municípios.

A pesquisa inédita do IBGE faz parte de um convênio do IBGE com o Ministério do Esporte e foi realizada nos 5.557 municípios existentes no país em 2003.