Os fornecedores de bens e serviços, nos tempos dos pacotes econômicos, foram apontados como vilões. Eles cobravam quanto bem entendiam pelo que vendiam e o povo tinha de pagar. Os salários nunca foram capazes de acompanhar aquela sanha por mais dinheiro e as reclamações contra o custo de vida sempre superaram os pleitos por melhores salários e obnubilaram o entendimento da realidade dos fatos.

Os pacotes milagrosos foram um fracasso. Não poderia ser de outra forma, pois há uma diferença essencial entre preços e custos e uma lei econômica, a da oferta e da procura, que é irrevogável. Congelar preços, tabelá-los ou andar fechando supermercados nada resolve. A busca de uma oferta equilibrada com a demanda é que produz preços justos.

É evidente que há os maus fornecedores, que, abusando de condições privilegiadas como a formação de cartéis ou monopólios, exploram os consumidores. Mas estes sempre foram minoria e, como tal, podem e devem ser combatidos. Hoje vivemos em tempos de liberdade de preços e nem por isto eles sobem como nos tempos das intervenções empacotadas do poder público. Até vemos alguns produtos com preços em queda.

Mas o sistema de livre formação de preços ainda esconde gulosas sanguessugas, que fazem com que paguemos muito mais do que vale um produto ou serviço. São os impostos, embutidos em todos os preços. A carga tributária no Brasil é das maiores, senão a maior do mundo. Só que a gente, quando vai às compras, paga o imposto sem sabê-lo ou, sabendo, sem dados para medir o achaque. Se o preço não é o que gostaríamos que fosse, xingamos o comerciante, o produtor, o intermediário. Nunca imaginamos que nos preços quase a metade é impostos.

Não se há de reivindicar que não existam impostos sobre a produção e o consumo. Mas se faz necessário que eles sejam justos, em percentuais compatíveis com as necessidades dos governos e a capacidade contributiva dos cidadãos. E que o poder público não se esconda, permitindo desde logo que se revele, em cada mercadoria que a gente compra e em cada serviço que se utiliza, quanto está levando. A transparência é indispensável para que a sociedade seja capaz de aquilatar se o governo está sendo simples sanguessuga, cobrando mais impostos do que seria justo e com eles fazendo menos do que dele é exigível. Essa transparência levaria ao aperfeiçoamento do sistema democrático, pois os cidadãos, através do Congresso, protestariam e procurariam colocar o poder público no seu devido lugar, não permitindo que ponha as mãos nos bolsos dos cidadãos e deles tire quanto bem entenda. E pouco ou nada faça senão sustentar uma inútil burocracia, quando não uma porção de malandros que sobe ao poder com o único objetivo de enriquecer ilicitamente. O brasileiro deve apoiar com entusiasmo a iniciativa de entidades patronais e de trabalhadores que levaram ao Congresso Nacional projeto de lei de iniciativa popular, buscando que se torne obrigatória a discriminação do que é preço e o que é imposto. Será assim que iremos desmascarar o bandido, seja ele o mau empresário, seja o mau governante.