Cinco dias após o fim da campanha eleitoral, a Petrobras anunciou hoje (01) um pacote de reajustes nos preços dos combustíveis com reflexos que vão desde o gás de cozinha às passagens aéreas, passando pela pressão de preços no atacado para o repasse do aumento de custos com insumos como óleo combustível e diesel. A dois meses do fim do ano, os reajustes também terão impacto negativo na inflação de 2002.

A gasolina, combustível de maior visibilidade, ganhou um reajuste de 12,09%, o que pode representar um aumento na bomba, a partir desta segunda-feira, entre 10% e 11% em São Paulo, segundo empresas distribuidoras. A Petrobrás estimou um repasse médio de 9% no País. O óleo diesel, principal combustível usado para o transporte de cargas, foi reajustado em 20,50%, com possível repasse de cerca de 18% aos consumidores e transportadores no Estado de São Paulo.

Além disso, a estatal voltou a reajustar o preço do gás liqüefeito de petróleo (GLP), o gás de cozinha, para uso comercial. Este produto, vendido em botijões de 13 quilos, estava sob intervenção da Agência Nacional do Petróleo (ANP) e será aumentado em 22,8% na segunda-feira. O mercado espera um repasse de até 12% para o consumidor.

Gasolina e diesel estavam com seus preços represados desde o início de julho, quando a Petrobras fez o último reajuste. Segundo o diretor de abastecimento da estatal, Rogério Manso, a empresa esperava a redução das incertezas do mercado, provocadas pelo processo eleitoral, a maior aversão dos investidores a riscos e a possibilidade de uma nova guerra no Golfo. Especialistas do setor, porém, atribuem às eleições um peso bem superior na decisão de segurar os preços da gasolina e do diesel. ?Ficou claro para o mercado que a liberdade de preços sinalizada em janeiro era fachada e que o controle teve finalidade explicitamente política?, comentou o consultor Adriano Pires, do Centro Brasileiro de Infra-Estrutura (CBIE).

Os reajustes anunciados hoje representam um aumento no faturamento da Petrobras com a venda de gasolina e diesel de 19 13% e 23,25%, respectivamente. Isso ocorre porque, como o imposto federal sobre os combustíveis – conhecido como Cide – tem um valor fixo, ele dilui o porcentual de repasse ao consumidor. Ou seja, a Petrobras, na verdade, aumenta seus ganhos em um porcentual maior do que o reajuste que promove para o consumidor.

Mesmo assim, os preços praticados pela estatal ainda estão defasados em relação ao mercado externo, diz Manso. Isso não quer dizer, porém, que haverá novos aumentos, ressalta o executivo. ?Vamos continuar avaliando o mercado e decidir quando houver movimentações bruscas?, informou.

O reajuste foi discutido na reunião do Conselho de Administração da estatal realizada na quinta-feira, em São Paulo com a presença do ministro-chefe da Casa Civil, Pedro Parente. O governo, de certa forma, já esperava por este aumento: em sua última reunião, na semana passada, o Comitê de Política Monetária (Copom), estimou um reajuste de 9% na gasolina em 2002.

Além da gasolina, diesel e GLP, foram reajustados também os preços do óleo combustível (11%), gás natural (21,05%), GLP para uso industrial (14,8%), nafta petroquímica (8,75%), e querosene de aviação (14,8%). Este último reajuste deve chegar integralmente às companhias aéreas e provocar nova alta no valor das tarifas, segundo o presidente do Sindicato Nacional das Empresas Aéreas (Snea), Georges Emarkoff.