O PSDB consolidou sua configuração de partido com vocação para o exercício do poder, haja vista a situação privilegiada que tem hoje nas prováveis candidaturas à Presidência da República, dos dois ocupantes dos cargos mais importantes do País, o governador do Estado de São Paulo e o prefeito da capital paulista.

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Geraldo Alckmin e José Serra disputam internamente a indicação, embora a decisão esteja apresentando grau acentuado de dificuldade tendo em vista a divisão de opiniões entre as figuras mais insignes do partido, quanto ao nome a ser ungido com a escolha.

Por consenso da executiva nacional, a questão está sendo examinada pelo trio formado pelo presidente do partido, senador Tasso Jereissati, o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso e o governador das Minas Gerais, Aécio Neves.

A tróica tem se reunido com certa freqüência para encaminhar a discussão ao desfecho, mas o que se depreende das declarações ainda vagas liberadas aos jornalistas, há alguns impasses no caminho da perfeita sintonia tucana.

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Os dois possíveis candidatos do PSDB, a menos que haja uma surpresa, estão em pólos opostos em termos de momento: Alckmin está no último ano do mandato, ao passo que Serra está no começo da gestão na Prefeitura de São Paulo, missão que prometeu cumprir até o último dia. Inclusive, com declaração juramentada em cartório.

FHC achou por bem afirmar que o candidato tucano será aquele que a população brasileira quiser, numa alusão direta às recentes pesquisas de opinião que mostram Serra em melhores condições que o governador. Sem ser, ainda, declaração de preferência pessoal, o ex-presidente deu uma pista segura sobre quem deverá apoiar.

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Alckmin conta com a força da bancadas estadual e federal do PSDB, além da boa gestão realizada em São Paulo e, ao que se diz, com a simpatia dos pesos pesados do setor produtivo, mais interessados em ter em Brasília um interlocutor de trato afável.

Para o prefeito José Serra, o dilema é deixar a Prefeitura antes de cumprir um ano e meio do mandato que afiançou não ter a intenção de abandonar. O invencível pragmatismo político brasileiro já disse que a renúncia não causará o menor empecilho. Mas, como sempre, não se consultou o eleitorado.

A vocação para o exercício do poder é real, mas a hegemonia de São Paulo sobre o PSDB também é um obstáculo.