O PPS decidiu barrar o reingresso, na legenda, de parlamentares eleitos e não eleitos (suplentes) pela sigla em 2004 e 2006 que mudaram de partido. Muitos deles, temendo a decisão do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) de que o mandato é do partido e não do parlamentar, tentam retornar ao PPS.

Os eleitos buscam garantir a permanência nos mandatos e os suplentes avaliam a possibilidade de assumirem as vagas dos que correm o risco de perder a cadeira legislativa. "A medida visa bloquear o ingresso no partido de políticos já reconhecidamente oportunistas de ocasião, que não têm compromisso com o programa do PPS e mudam de legenda de acordo com vantagens pessoais", afirma o secretário-geral do partido, o ex-deputado federal Rubens Bueno. A resolução foi assinada pelo presidente do partido, deputado Roberto Freire (PE).

A medida tomada pelo PPS, destaca Bueno, vai ao encontro de um novo momento da vida político-partidária do País, onde a questão da ética, do fortalecimento das legendas e do compromisso com a sociedade está em primeiro plano. "A decisão tomada pelo TSE na questão dos mandatos é moralizadora. Por isso, precisa ser apoiada em todos os sentidos e os partidos tem um papel importante nesse caminho. O PPS está fazendo a sua parte para evitar o troca-troca e a transformação de partidos em verdadeiras barrigas de aluguel como estamos assistindo no Governo Lula", disse Bueno.

Resolução

A resolução da Executiva Nacional do PPS foi encaminhada a todos os diretórios regionais e municipais. "Os municípios devem consultar os diretórios regionais antes de confirmarem qualquer filiação desse tipo", ressalta Bueno.

Segundo o PPS, muitos políticos que deixaram a legenda estavam interessados "em benesses" oferecidas por governos federal, estaduais e municipais, onde ele está na oposição. De acordo com informações do partido, na Câmara dos Deputados, por exemplo, 8 dos 22 parlamentares eleitos pela legenda passaram para partidos da base do governo.

O partido acredita que, em setembro, quando vencerá o prazo de filiação para a disputa do pleito municipal de 2008, muitos dos que saíram do PPS tentarão voltar, interessados no tempo de televisão da legenda (que agora é igual ao do PT, PMDB, PSDB e PFL) e na "força das chapas da legenda em vários estados".