O PP reconduziu o deputado Nélio Dias (RN) à presidência da sigla por mais dois anos em uma convenção marcada pelo resgate de políticos acusados de envolvimento nos dois últimos grandes escândalos de corrupção: o de mensalão e o das sanguessugas. "É preciso deixar no passado as coisas ruins que aconteceram e respeitar companheiros que foram sacrificados. Amigos que erraram e acertaram", discursou o líder do partido na Câmara, Mário Negromonte (BA).

Entre os eleitos para a direção Executiva do partido está José Janene (PR). O ex-deputado foi acusado de ter recebido, por intermédio de seu assessor Cláudio Genu, R$ 4,1 milhões do Valerioduto. Eleito primeiro tesoureiro, Janene será um dos responsáveis pela administração do caixa do partido.

O ex-deputado Pedro Corrêa (PE), que teve o mandato cassado depois que foi acusado de envolvimento com o mensalão, também foi eleito para a Executiva do partido. O ex-deputado e ex-presidente da Câmara, Severino Cavalcante (PE), também compõe a nova Executiva, assim como sua filha, a deputada estadual Ana Cavalcante (PE) e a deputada federal Aline Corrêa (SP). O deputado Pedro Henry (MT), que foi acusado de envolvimento nos dois escândalos, mensalão e sanguessuga, está na direção do partido, assim como o deputado Paulo Maluf (SP) e o ministro das Cidades Márcio Fortes.

Protesto

Um protesto isolado, no entanto, causou momentaneamente um constrangimento. Delegado na convenção, o ex-prefeito de Óbidos (PA) e ex-deputado estadual do Pará, Haroldo Tavares, fez uma rápida intervenção que silenciou a convenção. "Quero protestar pela inclusão de nomes que quase levaram esse partido à bancarrota. Não voto no diretório, sou só um caboclo da barranca do Amazonas, mas não me conformo com coisas que aconteceram. Não concordo com isso. Protesto contra a inclusão de nomes que não deveriam estar no diretório", afirmou.