A caderneta de poupança permanece como uma forma de investimento atrativa mesmo após as mudanças na fórmula de cálculo da Taxa Referencial (TR), afirmou nesta terça-feira (6) o superintendente nacional de Serviços e Captação da Caixa Econômica Federal, Roberto Derziê. Ele afirmou que a medida não reduzirá a rentabilidade líquida da caderneta, que deverá se manter na faixa de 65% do CDI – indicador de referência do mercado. "A poupança não voltará a ser o patinho feio entre os investimentos", disse.

O superintendente classificou as alterações determinadas pelo Conselho Monetário Nacional (CMN) como um "ajuste fino" que deverá equilibrar o fluxo de recursos entre as aplicações financeiras. Como a poupança possui isenção de imposto de renda, um patamar de retorno mais elevado poderia levar a uma entrada excessiva e até mesmo especulativa de capital, observou. Os bancos também teriam problemas com uma expansão muito grande dos depósitos da poupança, já que são obrigados a destinar parte dos recursos ao financiamento imobiliário, de acordo com Derziê.

O executivo afirmou que as mudanças trazem impacto positivo também para os mutuários. "Se a TR se mantivesse nos padrões anteriores, a taxa assumiria uma proporção muito elevada em relação ao indexador das prestações da casa própria.

A medida do CMN não afetou as projeções de captação do banco. Nos primeiros dois meses do ano, a Caixa registrou uma entrada de R$ 1,1 bilhão na poupança, ritmo que deve ser reduzido nos próximos meses em razão de fatores sazonais, segundo Derziê. "O cenário continua promissor, tanto que mantivemos nossa projeção de aplicar até R$ 4 bilhões em habitação com recursos da poupança", acrescentou.