A instabilidade do setor agrícola – provocada principalmente pela variação cambial, clima desfavorável e baixa nas vendas internacionais – está fazendo com que o Porto de Paranaguá, maior terminal graneleiro do Brasil, busque novas alternativas comerciais para manter suas operações em alta e alavancar novos negócios.
As exportações de produtos do segmento ?Carga Geral? – como madeira, cargas frigorificadas, veículos e contêineres – têm recebido especial atenção da administração do porto paranaense, com a atração de novos mercados e aumento das operações com clientes habituais.
O Porto também dá atenção a este segmento por agregar um grande volume de mão-de-obra direta. Para se ter uma idéia do que isto representa, no embarque de açúcar ensacado, são necessárias centenas de pessoas por dia, trabalho que começa fora da faixa portuária até chegar ao cais, porque a operação é essencialmente manual.
Venezuela
O projeto ?Pacto Paraná? é um exemplo de uma das medidas de incentivo a novos negócios adotadas pela Appa. Em parceria com a Federação das Indústrias do Paraná (Fiep), o Porto de Paranaguá vem buscando junto ao empresário paranaense, interessado em manter ou incrementar negócios com a Venezuela.
Operações ?casadas? entre o Porto de Paranaguá e os portos venezuelanos de Cabello, Guanta e La Guaira fazem parte de um acordo firmado no ano passado entre o Paraná e o país vizinho, com o propósito de abrir o mercado brasileiro para produtos como fertilizantes e pescados, produzidos na Venezuela e que são exportados apenas para os Estados Unidos.
A movimentação entre Paranaguá e os terminais venezuelanos poderá acontecer, por exemplo, com o envio de soja e o recebimento de uréia ou a exportação de congelados e a importação de pescados. ?Queremos que os empresários do Paraná, que ainda não usam nosso porto como rota comercial, passem a fazê-lo?, conclama o diretor de Desenvolvimento Empresarial da Appa, Ruy Zibetti.
O diretor do porto ainda destaca: ?Buscamos ampliar, junto com a Secretaria de Indústria e Comércio, a cooperação técnica entre o Paraná e a Venezuela e fazer do Porto de Paranaguá uma alternativa eficiente para todos os exportadores paranaenses?.
Veículos
Novos acordos com armadores internacionais já começam a dar resultados. Linhas comerciais com a Europa, Estados Unidos, América Central e Caribe servirão para operações com madeira, peças e cargas congeladas. ?Também estamos negociando novos contratos para exportação de veículos, máquinas e implementos agrícolas?, acrescenta Zibetti.
Segundo ele, um contrato firmado com a planta industrial da Toyota, na Argentina, fará com que o Porto de Paranaguá seja o canal de embarque de 1.300 a 1.500 unidades da marca para o mercado interno e sul-americano.
A ampliação das exportações da Renault, anunciada no início deste mês pelo novo presidente da empresa no Brasil, Jerome Stoll, trouxe maior otimismo para a administração portuária. ?Ainda é impossível falar em números, mas estamos trabalhando com a possibilidade de exportar de 7 a 10 mil veículos por mês, o que seria excepcional para o Porto de Paranaguá?, destaca o superintendente da Appa, Eduardo Requião.
Caso a Renault concretize o aumento nas exportações, o porto paranaense deverá embarcar um total de 100 mil unidades por ano. ?Mesmo com a baixa do dólar, a nova administração da Renault garantiu que vai trabalhar para aumentar as exportações?, afirma Eduardo Requião.