Pólos opostos

A TV pública do governo federal estréia sua programação no próximo domingo, 2, e será dirigida pela jornalista Teresa Cruvinel, ex-colunista política do jornal O Globo, indicada ao presidente Lula pelo ministro da Comunicação Social, Franklin Martins, também ele veterano quadro forjado pela poderosa máquina montada por Roberto Marinho, atualmente gerida por seus filhos e herdeiros.

O ministro Franklin Martins tem-se esforçado para convencer a sociedade – a última vez foi na audiência pública realizada pela Comissão de Ciência e Tecnologia da Câmara dos Deputados – que a TV pública jamais será uma emissora ?chapa-branca?, embora não possa afiançar que a mesma permaneça indene à influência política do governo.

O argumento de Martins, abstraída certa dose de maniqueísmo, põe a descoberto uma realidade corriqueira nas relações do governo com os meios de comunicação. O mesmo risco de influência política do governo sobre a TV pública existe também sobre a TV comercial.

O ministro fez uma afirmação digna de ser esquadrinhada em todo o seu significado, ao adiantar que a sociedade não tolerará uma TV ?chapa-branca?, cuja finalidade única seja queimar incenso ao governo.

Nesse aspecto, o experiente jornalista Franklin Martins prestaria excelente serviço de consultoria aos responsáveis pela TV Paraná Educativa, mantida com o dinheiro dos contribuintes para trombetear virtudes administrativas tão afastadas da realidade quanto são opostos os pólos da Terra.

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