Seis servidores que trabalharam na Câmara Municipal de Curitiba no primeiro semestre de 2017 apresentaram uma denúncia à presidência da Casa em que acusam a vereadora Katia Dittrich (SD), que foi eleita com o nome de urna “Katia dos Animais de Rua”, de exigir parte do salário dos comissionados para mantê-los no cargo. Dos seis ex-assessores que subscrevem a denúncia, dois chegaram a repassar valores para a parlamentar, dois foram demitidos por se negarem a participar do esquema e os outros são testemunhas que corroboram os fatos expostos.

Segundo as denúncias, a vereadora pedia valores que variavam entre R$ 1,5 mil e R$ 5 mil e a forma de abordagem e repasse variava de acordo com cada servidor. Esse repasse era exigido dos assessores que ocupavam os cargos com os maiores salários do gabinete. Na denúncia, os servidores apresentaram dois comprovantes de transação bancária que totalizam R$ 6 mil.

Além disso, outro servidor denunciou que havia emprestado R$ 5 mil à parlamentar ainda antes de Katia Ditrich assumir o mandato na Câmara Municipal. O acordo é que o valor emprestado seria devolvido em 12 pagamentos mensais de R$ 771, considerando as taxas de juros do empréstimo feito pela servidora para obter os recursos. Entretanto, depois de assumir o mandato e de nomear a assessora na Câmara Municipal, a vereadora teria parado de fazer os pagamentos sob a alegação de que o valor deveria ser descontado do salário da própria servidora.

Em outros dois casos, a vereadora teria apresentado a exigência de que um dos assessores devolvesse R$ 1,5 mil mensais e o outro repassasse R$ 2 mil. Ambos não aceitaram o acordo e foram demitidos após a negativa.

Ainda de acordo com as denúncias protocoladas na Câmara, a vereadora alegava que o dinheiro devolvido seria usado para cobrir despesas das diversas atividades que pretendiam realizar, como, por exemplo, a compra de uma Kombi para o resgate de animais de rua.

Em uma entrevista concedida com exclusividade à Gazeta do Povo – e sob condição de anonimato –, um dos ex-assessores afirmou que a abordagem feita para exigir os repasses era feita pela vereadora em reuniões que ela chamava de “confessionário” – em alusão ao programa Big Brother, da Rede Globo. Dessa reunião, além da vereadora e do assessor, participava também Marcos Whiters, marido de Katia Dittrich, que não é servidor da Câmara Municipal, mas, segundo a denúncia, tem papel importante na rotina do gabinete.

A mesma denúncia feita à Câmara também foi protocolada no Ministério Público do Paraná (MP-PR) e no partido Solidariedade, ao qual pertence à vereadora.

Apuração na Câmara

Em entrevista à imprensa após a sessão da manhã desta terça-feira (15), o presidente da Câmara, Serginho do Posto (PSDB), disse que serão instauradas sindicâncias para apurar os fatos denunciados pelos ex-assessores da vereadora. O tucano disse que a acusação é um “fato isolado” e que, se forem confirmados os fatos relatados, serão aplicadas as sanções cabíveis, sendo a sendo a mais extrema a cassação de mandato. Após recebimento pela Mesa Diretora da Casa, agora a acusação será encaminhada para a Corregedoria, que decidirá pela instauração de Procedimentos Ético-Disciplinares.

Outro lado

Procurada durante a sessão desta manhã, a vereadora Katia Dittrich (SD) disse que falaria com a imprensa após o término dos trabalhos, mas mudou de ideia e decidiu se posicionar apenas por nota oficial. No texto, ela afirma que não foi notificada oficialmente pela Câmara e que não vai se pronunciar até ter acesso às acusações feitas pelos ex-comissionados de seu gabinete. “(…) estando certa da inexistência de quaisquer irregularidades que recaiam sobre si, esta vereadora acredita que eventuais denúncias sequer serão acatadas por esta Câmara Municipal”, diz a nota.