A direção estadual do PT vai pedir ao governador Roberto Requião que atue diretamente na costura das alianças entre o Partido dos Trabalhadores e o PMDB para a disputa das prefeituras nas principais cidades do Estado.

O presidente do PT do Paraná, deputado André Vargas, disse que a intervenção do governador é importante para que as duas siglas se contraponham ao arco de coligações PFL-PSDB-PDT, que estão se juntando em palanques únicos nas eleições municipais.

Vargas disse que o diagnóstico do seu partido é que enquanto tucanos, pedetistas e pefelistas estão unidos, a base de apoio do presidente Lula e do governador Roberto Requião está dividida no Paraná. À exceção de Curitiba, onde a aliança entre os dois partidos é considerada irreversível, nas demais cidades os acordos eleitorais estão patinando, avalia o presidente do PT. “Se o PMDB, o PT, o PTB e o PP se articularem, as chances de vitória aumentam. Nós estamos divididos nos municípios e a oposição está articulada”, disse o dirigente petista.

Vargas afirmou que Requião, na condição de maior liderança peemedebista do Estado, tem poder para aparar algumas arestas que estão separando seu partido do PT em alguns colégios eleitorais importantes, como Londrina e Foz do Iguaçu. Nas duas cidades, o PMDB e PT lançaram candidatos próprios. Em Foz do Iguaçu, o candidato é o atual prefeito Samis da Silva, filho do presidente estadual do PMDB, deputado Dobrandino da Silva.

Alvo

O presidente estadual do PMDB disse que a intervenção de Requião tem sido notada apenas em Curitiba e que pode não ser extensiva a outras cidades. “O governador tem influência, é claro. Mas também sabe que onde o PMDB tiver um candidato melhor, lançamos o nosso. Lá em Foz do Iguaçu, o PMDB já tem candidato a perfeito. Em Londrina, o PT lança o deles e nós o nosso. Depois, as alianças do PMDB não têm que ser só com o PT”, ponderou o dirigente peemedebista.

Ele disse ainda que na visão peemedebista, o resultado das eleições em cidades como Curitiba e Londrina depende mais das alianças que serão feitas no segundo turno. “Quem vai ganhar a eleição é quem fizer as melhores composições no segundo turno”, disse o presidente do PMDB.

Bancada petista apóia Cunha

Brasília – A bancada do PT decidiu ontem, por ampla maioria, apoiar a reeleição do presidente da Câmara, João Paulo Cunha. Apesar de não ter fechado a questão, o partido se posicionou favorável em relação à PEC (Proposta de Emenda Constitucional) sobre a reeleição no Congresso, que deve ser votada hoje. Na reunião, João Paulo Cunha disse que, se o governo “tivesse mais juízo”, votaria a favor da reeleição. Deputados presentes disseram que João Paulo afirmou que a reeleição daria “governabilidade” a Lula.

O presidente do PT, José Genoíno, não quis comentar a declaração. “A reeleição é um problema da bancada”, disse. A declaração de João Paulo Cunha deve causar mais uma mal-estar entre ele e governo. Recentemente, o presidente da Câmara reclamou do número de Medidas Provisórias editadas, pois estariam trancando a pauta de votações na Casa.

Ontem, o líder do PMDB no Senado, Renan Calheiros (AL), distribuiu carta a todos os deputados e percorreu os corredores do Congresso para convencer os parlamentares a derrubarem a PEC, que pode ser votada nesta quarta. O senador é candidato à presidência do Senado, hoje ocupada pelo colega de partido, José Sarney (PMDB-AP).