Transição

Tucanos reclamam de herança maldita

A equipe de transição do governador eleito, Beto Richa (PSDB), estima que, no mínimo, R$ 700 milhões do orçamento do próximo ano já estão comprometidos com ações e compromissos gerados pelo atual governo.

Os números foram calculados em reunião realizada ontem entre os integrantes da equipe e o líder da bancada do PSDB e futuro líder do governo na Assembleia Legislativa, deputado Ademar Traiano.

O grupo está fazendo um diagnóstico da situação financeira do Estado para apresentar ao governador eleito que está nos Estados Unidos, em férias. O retorno de Beto Richa está previsto para a próxima segunda-feira.

Antes de embarcar, ele havia estipulado prazo até a segunda-feira passada, 15, para que a equipe chegasse a uma conclusão sobre como encontrarão o caixa do governo em janeiro do próximo ano.

O grupo analisou as respostas fornecidas às informações requisitadas ao atual governo, que também montou uma equipe de transição. De acordo com Traiano, a concessão de benefícios fiscais, antecipações de receitas e licitações de obras e programas realizadas durante estes derradeiros meses de mandato do governador Orlando Pessuti resultarão em gastos adicionais para o futuro governo tucano.

“É um volume de recursos significativo e preocupante, fruto de ações unilaterais, sem conversar com a equipe de transição”, atacou o deputado da equipe de transição.

O futuro governo tem restrições a vários projetos do governador Orlando Pessuti (PMDB), que ainda não foram votados. Além da regulamentação da Defensoria Pública, também está na lista negra dos tucanos a criação das Secretarias da Mulher e de Relações Internacionais.

A equipe de transição está sugerindo uma reorganização das secretarias e a criação de novas pastas deve estar adequada ao modelo proposto, disse Traiano. Ele observou que o governador eleito pediu que a equipe desenvolva fórmulas para reduzir custos. “Nós vamos ter mudanças, mas dentro da filosofia de fazer uma gestão vigorosa, mas acima de tudo buscando a economia”, afirmou.

Traiano

O deputado tucano reclamou que, dos 165 pedidos de dados encaminhadas à equipe de transição criada pelo governador Orlando Pessuti (PMDB), apenas 60% obtiveram retorno, mas os dados estão incompletos.

O coordenador da equipe de transição, Carlos Homero Giacomini, se queixou até do suporte usado para armazenar as informações. “Muitos órgãos entregaram as informações em papel, o que dificulta ainda mais o trabalho”, afirmou.

A equipe conta com um grupo de 44 técnicos para buscar informações suplementares em diversas áreas da administração estadual. “O diagnóstico vai demonstrar que temos um quadro de grandes dificuldades para a administração do Paraná nos próximos anos”, disse Giacomini, segundo texto distribuído pela assessoria do governador eleito.

O coordenador defendeu mudanças na área de gestão administrativa e políticas públicas. “Há um conjunto de medidas que deverão ser adotadas no sentido de dotar o Paraná de uma nova governança, de novas bases para o desenvolvimento econômico”, disse Giacomini.

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