Quando disse que só deixa o Ministério do Trabalho se for “abatido à bala”, o ministro Carlos Lupi não fazia apenas uma fanfarronice – da qual diz ter-se arrependido. Tirá-lo do posto será mais difícil para a presidente Dilma Rousseff do que foi, por exemplo, trocar cinco ministros que se envolveram em suspeitas de irregularidades e um sexto, Nelson Jobim (Defesa), por insubordinação.

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Discípulo de Leonel Brizola, fundador do PDT, Lupi hoje é quase o dono do partido. Licenciou-se de sua presidência somente para obedecer a uma formalidade legal, mas continua sendo quem manda de fato. O vice-presidente pedetista, deputado André Figueiredo (CE), é homem de sua confiança. O segundo vice é o deputado Brizola Neto (RJ), com o qual fechou acordo e cuja irmã, Juliana Brizola, ele nomeou para a Secretaria-Geral do PDT gaúcho. O secretário-geral do PDT nacional é Manoel Dias, remanescente dos tempos de Leonel Brizola, outro do mesmo time.

De acordo com informações de bastidores do Planalto, a presidente Dilma Rousseff sabe da força de Lupi. Hoje, se ele deixar o ministério e resolver fazer oposição, leva consigo 24 dos 26 deputados – Antonio Reguffe (DF) e Miro Teixeira (RJ) são adversários de Lupi, mas já atuam como se estivessem na oposição. Portanto, em um rompimento com o ministro Dilma perderia 26 votos na Câmara. No Senado, Lupi tem força sobre quatro dos cinco senadores – o independente é Cristovam Buarque (DF).

Sem que haja uma denúncia demolidora, Dilma não pode simplesmente trocar Carlos Lupi por outro integrante do PDT. Para fazê-lo teria de negociar seu apoio a um novo nome e a certeza de que não levará o partido para a oposição. Com o PC do B, Dilma tirou Orlando Silva e pôs no lugar Aldo Rebelo, sem rebelião. Com o PMDB, trocou Wagner Rossi, na Agricultura, por Mendes Ribeiro; Pedro Novais, do Turismo, foi substituído por Gastão Vieira.

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Embora exerça um cargo técnico, visto que o Ministério do Trabalho tem sua orientação voltada para a geração de empregos, Lupi faz política integral à frente da pasta. Chega ao ministério por volta das 7 horas e sai às 22 horas e mescla as decisões da pasta com uma agitada atividade política. Segundo contam pedetistas, atende a todas as solicitações de forma muito rápida.

Bom aluno

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Lupi foi um bom aluno de Leonel Brizola que, na cartilha do caudilhismo, fazia intervenções nos diretórios estaduais sempre que alguém descumpria uma orientação. Hoje, nos 27 Estados e no Distrito Federal, só nove têm diretórios formais. Os outros 18 funcionam à base de comissões provisórias. Pelas regras do partido, elas têm de ser renovadas a cada 60 dias. Isso dá a Lupi poder total nos 18 Estados. No Rio de Janeiro, seu Estado, só seis dos 92 municípios têm diretório permanente.

A força do ministro no PDT começou ainda no governo Lula e, depois que ele se consolidou no Ministério, só aumentou. Em 2007, o nome do então presidente Luiz Inácio Lula da Silva para o Trabalho era o do deputado Miro Teixeira. Lupi, pretendendo o cargo, vetou a escolha de Miro. Articulou-se com a bancada e foi a Lula. Saiu do encontro com a pasta. Miro hoje está isolado.

O PDT não tem nenhum governador, mas tem, Brasil afora, 3.524 vereadores, 353 prefeitos, 76 deputados estaduais, 26 deputados federais e cinco senadores. Na votação de uma emenda constitucional, como a que prorroga a Desvinculação das Receitas da União (DRU), estes são fundamentais. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.