O ministro da Integração Nacional, Geddel Vieira Lima (PMDB), disse ontem (30) que a discussão sobre uma mudança na Constituição para que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva pudesse disputar um terceiro mandato ainda não saiu do ?campo da especulação?. Geddel não demonstrou, no entanto, oposição ideológica à medida: ?Uma emenda constitucional teria que ser apresentada no Congresso e teria de começar a tramitar. Só a partir daí haveria debate. Enquanto isso não ocorrer, ou se isso não ocorrer, toda essa discussão é apenas especulação?.

Em Israel, onde participou da abertura da Feira Internacional de Tecnologias Hídricas e Controle Ambiental, a Watec 2007, ele disse confiar nas declarações de Lula de que não disputará um novo mandato. ?O presidente tem dito reiteradas vezes que não deseja concorrer novamente. Então, prefiro crer no que o presidente diz, que da parte dele não há interesse.

A idéia do terceiro mandato foi lançada por dois deputados da base aliada – Devanir Ribeiro (PT-SP) sugeriu um plebiscito sobre o tema em 2008 e Carlos Willian (PTC-MG) defendeu a elaboração de uma emenda. Ao saberem da articulação, líderes do PSDB advertiram o governo de que qualquer iniciativa nesse sentido pode comprometer as negociações em torno de projetos de interesse do governo no Legislativo, como a prorrogação da Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira (CPMF).

Em diversas ocasiões, o presidente Lula rechaçou essa possibilidade – tanto antes como depois de a movimentação dos aliados vir à tona. Apesar disso, as manifestações continuam. Anteontem, por exemplo, o presidente foi à Bahia e o prefeito de Camaçari, Luiz Caetano (PT), disse: ?Não sou eu quem está falando isso, não é só uma discussão política. É o povo que está com medo de te perder?.

As informações são do jornal O Estado de S. Paulo