O ex-tesoureiro do PT, Paulo Ferreira, disse que é amigo pessoal do ex-vereador do PT de Americana (SP) Alexandre Romano, o Chambinho, há mais de dez anos, mas negou ser beneficiário de recursos derivados do contrato entre a Consist Software e a Associação Brasileira de Bancos (ABBC) e o Sindicato das Entidades Abertas de Previdência Privada (SINAPP).

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Chambinho foi preso na Pixuleco II, quinta-feira, 13, por suspeita de receber R$ 40 milhões em propinas a partir de contrato de empréstimo de consignados no âmbito do Ministério do Planejamento. À Polícia Federal, ele citou Paulo Ferreira como ‘beneficiário de repasses’.

“Conheço o Alexandre Romano há mais de dez anos. Ele me procurou na sede do PT em 2006 dizendo que estava se mudando de Americana e que ia abrir um escritório em São Paulo. Isso derivou para uma relação pessoal. Mas nunca fui beneficiário destes contratos. Sou um ex-candidato endividado. Estou sendo cobrado por fornecedores da minha campanha e precisei fazer três empréstimos para pagar despesas”, disse Ferreira, que foi candidato a deputado federal pelo PT do Rio Grande do Sul, mas não se elegeu.

Ferreira confirmou que foi procurado por Chambinho em 2009, quando ainda ocupava a tesouraria do PT, cargo que deixou no final daquele ano. O ex-vereador lhe teria dito que elaborava em parceria com o ex-ministro da Comunicação Luiz Gushiken um projeto relacionado com os empréstimos consignados. Gushiken morreu em setembro de 2013.

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“O Alexandre me disse em 2009 que estava fazendo um projeto de proteção para os empréstimos consignados junto com o Gushiken. Em 2010, quando eu já não ocupava mais a tesouraria, ele voltou a me procurar para dizer que uma empresa gostaria de fazer uma doação ao PT. Orientei que ele procurasse a pessoa responsável (na época, João Vaccari Neto)”, afirmou Ferreira.

Embora confirme ter conhecimento da história, ele nega enfaticamente ter participado ou se beneficiado do negócio.

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“Não conheço ninguém. Nunca tive reuniões nem agendas com a Consist, ABBC ou SINAPP. Não participei de reuniões nem muito menos operei o resultado desse negócio. Este processo, inclusive, foi depois da minha saída da executiva nacional do PT”, disse.

O ex-tesoureiro petista também confirmou ter feito a ponte entre Chambinho e o escritório de advocacia Portanova, de Porto Alegre. “Conheço o Portanova desde o tempo da escola, é um especialista em direito previdenciário e trabalhista. Eles me disseram que precisavam de clientes e o Alexandre me procurou dizendo que precisava de advogado. Então, fiz a indicação. Isso foi agora, em novembro de 2014?, disse Ferreira.

O ex-tesoureiro petista, que hoje trabalha como assessor parlamentar na liderança do PT na Câmara, disse estar tranquilo quanto a citação a seu nome. “Estou à disposição da Polícia Federal e do Ministério Público. Ao contrário de outros investigados nesta operação não tenho imóveis nem contas”, afirmou.

Ferreira desafiou Chambinho a provar as afirmações e acusou o ex-vereador de Americana de tentar incriminá-lo para desviar o foco das investigações.

“Ele tem a obrigação de provar. Isso que ele está fazendo é transferência de responsabilidades. Se eu tivesse alguma participação neste esquema estaria com a conta cheia de dinheiro e participação em empresas”, disse Ferreira, em referência ao fato de Chambinho ser sócio de diversas empresas.