Em uma tentativa de diminuir a pressão que vem sofrendo no governo Bolsonaro, o ministro-chefe da Casa Civil, Onyx Lorenzoni, demitiu nesta terça-feira, 4, mais dois auxiliares. Até o fim da semana, ele pretende fazer uma reestruturação da pasta e novas mudanças devem ser anunciadas hoje.

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Foram desligados o secretário especial de Relações Governamentais, Giácomo Trento, e o ex-senador Paulo Bauer (PSDB-SC), assessor especial da Secretaria de Relacionamento Externo da Casa Civil. É a quarta baixa no ministério em uma semana.

Em nota, Bauer afirmou que sua saída foi a pedido porque o trabalho em Brasília limitava a convivência familiar e as atividades políticas em Joinville (SC), onde avalia se candidatar à prefeitura, na eleição de outubro. Um dos principais assessores de Onyx, Trento não respondeu ao contato da reportagem.

Na semana passada, o secretário executivo da Casa Civil, Vicenti Santini, foi demitido após usar o voo da Força Aérea Brasileira (FAB) para uma viagem ao Fórum Econômico Mundial de Davos, na Suíça, e, depois, para Nova Délhi, na Índia.

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Após ser dispensado, Santini acabou ganhando novo cargo. Com a repercussão negativa nas redes sociais, o presidente Jair Bolsonaro determinou o desligamento do secretário. Foi exonerado, ainda, o assessor de Comunicação de Onyx, Gustavo Chaves Lopes.

As demissões ocorrem depois que a Casa Civil perdeu força com a decisão de Bolsonaro de reduzir as atribuições da pasta. O Programa de Parceria de Investimento (PPI) foi transferido para o Ministério da Economia. Anteontem, na cerimônia de abertura do ano legislativo, Bolsonaro determinou que Onyx levasse a mensagem presidencial ao Congresso. O chefe da Casa Civil chegou acompanhado do ministro da Secretaria-Geral, Jorge Oliveira, considerado hoje o nome mais forte no Palácio do Planalto.

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FAB

A Comissão de Relações Exteriores do Senado pretende votar amanhã um projeto para endurecer as regras sobre uso de aviões da FAB por autoridades. A proposta foi incluída na pauta após a demissão de Santini e aumenta as exigências de divulgação das informações dos voos.

Na prática, o projeto atinge até mesmo o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (DEM-AP), que costuma usar voos da FAB para retornar ao Amapá, seu reduto eleitoral, nos fins de semana. Após a sessão de abertura do ano legislativo, por exemplo, Alcolumbre viajou para Macapá. Ali, o irmão dele, Josiel Alcolumbre, se movimenta para ser candidato a prefeito. Com a viagem, o Senado não realizou ontem sessão deliberativa no plenário.

“Há muitos anos participo das celebrações de aniversário da capital do meu Estado, Macapá. Faço questão porque valorizo demais o sentimento de pertencimento que devemos carregar, o orgulho do lugar da gente e (para) celebrar todos os avanços que estamos conquistando”, escreveu Alcolumbre nas redes sociais.

O projeto que deve ser votado pela Comissão de Relações Exteriores determina que autoridades usem aviões da FAB apenas para viagens a serviço e, “excepcionalmente”, por motivo de segurança e emergência médica. Atualmente, presidentes de Poderes e comandantes das Forças podem usar os aviões para viajar ao local de residência. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.