Volumosos processos fiscais e autuações de infrações em valores milionários impostas a pessoas jurídicas eram retirados tranquilamente da Secretaria da Fazenda de São Paulo em mochilas e sacolas, revela a investigação da Polícia Federal. Os movimentos da quadrilha no Palácio Clóvis Ribeiro, sede da Fazenda, foram reconstituídos a partir da confissão de quatro alvos da Operação Lava Rápido.

Silvania Felippe, Denise Alves dos Santos, Maria Rodrigues dos Anjos e Cleiresmar Machado ocupavam funções administrativas na pasta. Elas recebiam propinas em dinheiro vivo para atender às encomendas dos empresários Wagner Renato de Oliveira, Antonio Honorato Bérgamo e Antonio Carlos Balbi, mentores da trama. As propinas eram pagas às servidoras da Fazenda no Shopping Light, no viaduto do Chá, e em um salão de beleza na Galeria Nova Barão, no centro da cidade.

Silvania, funcionária concursada desde 1992, conta que um dia retirou um processo com 72 volumes, com a ajuda de Cleiresmar e Maria Rodrigues. “Para carregar esses volumes, eu, Maria e Cleires saímos da Secretaria da Fazenda com sacolas e mochilas”, confessou.

Por esse serviço, ela recebeu R$ 40 mil. Cleiresmar e Maria também receberam R$ 40 mil cada. Silvania confessou que teve ajuda de Maria para levar outro processo, de 19 volumes. “Maria levou os autos para o banheiro e eu coloquei dentro de uma mochila e saí das instalações da secretaria.” As informações são do jornal O Estado de S.Paulo.