O candidato do PSDB à Presidência da República, José Serra, reclamou na tarde de hoje da “truculência” do PT na campanha de rua e citou o tumulto ocorrido na quarta-feira da semana passada na zona oeste do Rio, quando o tucano disse ter sido atingido por um objeto durante briga entre petistas e tucanos. “A principal truculência é a das ruas. Sofri muito em vários lugares, com bloqueios dos batalhões de choque do PT, como aconteceu aqui outro dia em Campo Grande. Do ponto de vista verbal e da televisão, muita mentira. Nunca vi tanta mentira por unidade de tempo proferida pelos nossos adversários como nesta campanha. Isso naturalmente não ajuda a ter um nível bom. Quando um não quer, o nível não fica bom”, disse Serra, depois de fazer uma visita ao estádio do Maracanã (zona norte), que está em obras para a Copa de 2014.

Serra afirmou que, se eleito, dará “toda cooperação tanto para a Copa como para a Olimpíada”. O tucano disse que não terá problemas, se for vitorioso, em fazer parcerias com o governador do Rio de Janeiro, Sérgio Cabral, e o prefeito Eduardo Paes, ambos do PMDB e adversários políticos.

Serra reiterou a preocupação com a subida do preço dos alimentos e criticou o governo Lula. “Estamos tendo uma inflação de alimentos no Brasil como há muito tempo não se via, de alimentos básicos para a nossa população. Basta olhar o que aconteceu nos últimos três meses. Carne está virando um produto de luxo, aumentou (o preço do) frango, carne de porco, arroz, feijão, açúcar. Estamos tendo inflação precisamente nos alimentos e o governo tem estado inerte diante disso. Uma política de estoques e uma política de infraestrutura mais adequadas teriam permitido evitar esta situação”, afirmou o tucano.

Licitação do metrô

Serra voltou a defender a abertura de investigação para apurar suspeitas de fraude na licitação dos lotes da Linha 5 do Metrô de São Paulo. O candidato descartou a hipótese de direcionamento na licitação, mas admitiu a possibilidade de acordo entre as empresas concorrentes. Serra destacou que já não era mais governador de São Paulo quando foi feita a licitação.

“Direcionamento não houve. Pode ter havido acordo de construtoras. Creio que o governador (Alberto) Goldman vai instaurar investigação, incluindo o Ministério Público, para ver se houve acordo entre empresas. Foi feito depois do meu governo. Lembro que foi feita uma licitação, cancelada porque os preços não eram bons para o Estado, que queria preços mais baixos. A outra concorrência teve preços mais baixos. O interesse do Estado foi defendido. É importante que seja bem esclarecido”, disse Serra.

Romeu Tuma

Ao comentar a morte do senador Romeu Tuma (PTB-SP), o candidato do PSDB disse ter perdido “um amigo”. “Lamento muito. Fui colega dele no Senado. Um homem sereno, duas vezes senador por São Paulo. Quero mandar meu abraço a sua família, a sua esposa, seus irmãos, e seus filhos. Éramos amigos pessoais. Além de político importante, perco um amigo”, afirmou o candidato.