Com a disputa eleitoral encerrada, o governador de São Paulo, José Serra (PSDB), passa ser o principal fiador das mudanças que serão feitas no primeiro escalão do governo de Gilberto Kassab (DEM). De olho em 2010, o tucano aproveitará a dança das cadeiras na equipe municipal para fazer um rearranjo em seu time e deixá-lo “calibrado” para encarar a eleição presidencial. As alterações no secretariado de Kassab servirão para acomodar partidos que o apoiaram na disputa, desalojar aliados que se afastaram durante a campanha e alçar aqueles que desempenharam papel significativo na eleição. Devem ocorrer antes de 1.º de janeiro, quando começa o segundo mandato.

Essas mudanças terão um reflexo pontual na equipe de Serra – com o embarque no time do tucano, por exemplo, de nomes que compuseram a equipe de Kassab. No xadrez das novas nomeações, Serra e Kassab se moverão juntos, atentos à composição de forças para 2010. A aliança entre o tucano e o democrata, “inquebrantável” depois da vitória de ontem, segundo um secretário de Serra, foi simbolizada pela ida dos dois juntos ao Colégio Santa Cruz, onde ambos votam. Kassab passou para buscar Serra em sua casa. Pouco antes, brincou com a fama do governador de dormir até tarde, dizendo que ligaria para acordá-lo. Chegaram juntos e exibiram o “v” de vitória.

Até agora, a alteração mais provável na equipe de Kassab é a saída de Andrea Matarazzo, atual secretário de Coordenação das Subprefeituras. É possível que ele deixe a prefeitura para assumir uma cadeira no governo Serra. Embora o prefeito elogie a atuação de Matarazzo no governo, a relação entre os dois se deteriorou durante as eleições, quando o tucano manteve papel discreto na defesa da candidatura do prefeito.

Além disso, é certa a entrada do PMDB no secretariado e/ou em uma subprefeitura. O mais provável é a ida de Alda Marco Antonio, eleita vice-prefeita de Kassab, para a pasta da Assistência Social. A princípio, os tucanos mais fortes da administração Kassab, Alexandre Schneider (Educação), Januário Montone (Saúde) e Clóvis Carvalho (Governo), continuam na prefeitura. Só sairão se convocados para o governo Serra.

Fortalecido com o resultado das urnas, o prefeito não deve mexer nos aliados kassabistas “puros-sangues”: Marcelo Branco (Infra-Estrutura), Orlando Almeida (Habitação) e Alexandre de Moraes (Transportes). No secretariado estadual, além de acomodar Matarazzo, podem ocorrer mudanças nas secretarias de Segurança e de Transportes Metropolitanos, afirmam aliados do governador. As pastas de Assistência e Desenvolvimento Social e Esporte também podem vir a acomodar novos nomes. Por fim, não está descartada uma alteração na equipe econômica de Serra.

DEM

A vitória de Kassab cumpre a primeira etapa da estratégia traçada pelo DEM para buscar a recuperação nacional do partido. O chamado “Projeto Kassab” transforma o prefeito na figura central e de maior visibilidade da legenda. Dentro desse processo, ele cumprirá o mandato integralmente até 2012, sem abrir mão da metade final para concorrer ao governo do Estado em 2010. E, ao longo desse período de quatro anos, o DEM aposta que sua administração será bem avaliada pela população, transformando a gestão num cartão de visitas do partido para ser exibido pelo País afora.

Para o DEM, o triunfo de Kassab é uma tábua de salvação política. Longe do governo federal do presidente Lula nos últimos seis anos, o DEM desidratou. Perdeu políticos importantes e foi derrotado em muitas cidades, incluindo aquelas onde mantinha longa hegemonia regional, como no Rio de Janeiro. O sucesso da campanha em São Paulo, entretanto, se transforma num marco no caminho para revigorar o DEM. “Não tenho dúvida do papel que o prefeito Kassab vai exercer nacionalmente a partir dessa eleição”, diz o presidente do DEM, Rodrigo Maia. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.