No lançamento da campanha Rio sem Homofobia, o governador Sérgio Cabral (PMDB) estimulou policiais civis e militares e bombeiros homossexuais a participar uniformizados da próxima passeata gay no Estado. Autorizou até o uso de carros das corporações nas manifestações.

“Da minha parte estão todos liberados para participar da passeata. Pode botar o carro do Corpo de Bombeiros, o carro da polícia. Nenhum problema. Em Nova York é assim. Em Paris eles vão uniformizados. Por quê? Porque o amor não deve ser razão para nenhum tipo de discriminação”, discursou Cabral, muito aplaudido por gays, lésbicas, travestis e transexuais.

Entre as autoridades presentes, estava a chefe de Polícia Civil do Estado, delegada Marta Rocha, saudada como “nossa grande rainha gay” pelo superintendente de Direitos Individuais, Coletivos e Difusos e coordenador do programa Rio sem Homofobia, Cláudio Nascimento.

Cabral sugeriu que os policiais e bombeiros conversem com seus superiores sobre a participação nas paradas gays. “Vai no Mário Sérgio, vai na Marta Rocha, vai no Pedro Machado, fala com eles”, disse o governador.

Além da chefe da Polícia Civil, Cabral citou outros dois subordinados: o coronel Mário Sérgio de Brito Duarte, comandante-geral da Polícia Militar, e o coronel Pedro Machado, que comanda o Corpo de Bombeiros.

“Agora vai ter que cumprir”, afirmou um militante gay na plateia sobre a permissão dada por Cabral. O governador disse ainda que a polícia “vai se reeducar” para atuar no combate à intolerância e violência contra homossexuais.

Cabral perguntou quem já tinha assistido a uma passeata gay nos Estados Unidos e, como poucos levantaram as mãos, apontou as diferenças. “Como são as passeatas no mundo? Em Nova York, Miami, São Francisco. A nossa passeata é melhor, só que está faltando o seguinte: na área de segurança pública, você vê (no exterior) os policiais civis gays, as policiais e os policiais militares gays, os membros do Corpo de Bombeiros gays, os carros da polícia, e os gays andando todos na passeata”, disse.

No discurso, Cabral saudou Cláudio Nascimento como “um herói nacional”. “O Claudio fala com o coração, mas trabalha muito. Não é só aquele artista que solta a franga na passeata LGBT. Com todo respeito, João. No dia a dia, ele é um guerreiro”, afirmou Cabral, dirigindo-se a João Alves, companheiro de Cláudio.

A campanha Rio sem Homofobia, do governo do Estado, custou R$ 4 milhões. Vai distribuir cartazes, outdoors e veicular peças publicitárias de rádio e TV com o slogan “Discriminação – quando você não participa, não vai para frente” Nos filmetes, um amigo aponta para o outro “dois boiolas”, “dois sapatões” ou “dois travecos”. O interlocutor diz ver apenas “duas pessoas”.

“Um lugar maravilhoso como o Rio não combina com homofobia”, diz outro slogan. A cantora Elza Soares e a atriz e travesti Jane Di Castro, que cantou o Hino Nacional, também prestigiaram a festa, encerrada com distribuição de rosas e um coquetel.

A senadora Marta Suplicy (PT-SP), relatora do projeto de lei que criminaliza a homofobia, participou do lançamento da campanha. “Enquanto o Legislativo se apequenou nos últimos 16 anos, o Judiciário avançou”, disse a senadora, citando decisão do Supremo Tribunal Federal (STF), que por unanimidade reconheceu a união civil de pessoas do mesmo sexo. O STF respondia a questionamentos do governo do Rio e da Procuradoria-Geral da República sobre o tema.

Cláudio Nascimento lembrou que, apesar dos avanços no combate à homofobia, o Rio de Janeiro ainda tem altos índices de violência contra homossexuais. Segundo Nascimento, nos anos de 2009 e 2010 foram registradas 970 ocorrências de homofobia em 87 delegacias do Estado. No ano passado, 23 homossexuais foram assassinados no Rio.