O senador Osmar Dias (PDT-PR) propôs ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva formar uma equipe de cientistas e técnicos do governo para elaborar um programa, válido para os próximos 50 anos, de aproveitamento de pastagens degradadas para o cultivo de alimentos. Conforme explicou, a sugestão tem os propósitos de expandir a área de produção de alimentos e evitar o comprometimento da produção nacional de biocombustíveis.

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A produção brasileira de biocombustíveis, aliás, se tornou alvo de críticas dos países ricos na Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação (FAO). O argumento apresentado, lembrou Osmar Dias, é de que o incentivo oficial à produção de biodiesel e de etanol no país pode reduzir a oferta de alimentos no planeta, afetando, principalmente, os países mais pobres. O parlamentar, no entanto, discorda desse alerta internacional, em virtude do potencial agrícola brasileiro.

Ao defender a proposta de um programa alimentar baseado na exploração de áreas degradadas, Osmar Dias adiantou que o Brasil tem 220 milhões de hectares de pastagens e 54,5 milhões hectares plantados de grãos.

"Se o Brasil pegar estes hectares e colocar em prática um programa de incentivos voltado para o melhor manejo de pastagens, poderíamos não só aumentar o rebanho, como produzir em 150 milhões de hectares o que hoje produzimos em 220 milhões de hectares. Assim, 70 milhões de hectares de pastagens poderiam ser incorporados ao sistema produtivo de grãos" ressaltou.

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Osmar Dias apontou os países produtores de petróleo e os países ricos que subsidiam sua agricultura como os principais oponentes do programa brasileiro de biocombustíveis.

"Eles sabem que o petróleo e o subsídio agrícola encarecem a produção", argumentou, sugerindo ao presidente da República que dê essa resposta à ONU e, assim, prove que o Brasil tem terras cultiváveis de sobra para produzir biocombustíveis e alimentos.

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