O secretário de Estado da Segurança Pública (Sesp), Reinaldo de Almeida César, quer transferir para a Secretaria de Estado da Justiça (Seju) a responsabilidade sobre as unidades prisionais do Centro de Triagem 2, em Piraquara, e os presídios de Foz do Iguaçu e Ponta Grossa, o que pode liberar policiais para o trabalho de rua.

Consciente de que as mudanças na secretaria não são fáceis e não vão acontecer da noite para o dia, Almeida César se diz estimulado para o desafio que assumiu. Em visita à Editora O Estado do Paraná, onde foi recebido pelo diretor-presidente da empresa, ex-governador Paulo Pimentel, o novo secretário afirmou que é preciso aumentar o investimento na área, ainda que sem especificar de quanto deve ser esse acréscimo.

“É prioridade nesse início de gestão resolver o problema da superpopulação carcerária em delegacias. Preso é responsabilidade do Poder Judiciário. De imediato temos que passar unidades geridas pela Sesp para o sistema penitenciário”, defendeu.

Segundo o secretário, só Paraná e Bahia têm essa distorção de manter mais presos em delegacias do que no sistema carcerário. “Conversei com a secretária da Justiça, Maria Tereza Uille Gomes, e ela está consciente da missão que tem na abertura de novas vagas no sistema e de assumir essas unidades prisionais”, completou Almeida César.

Na primeira reunião que teve com o governador Beto Richa (PSDB) depois da sua posse, Almeida César solicitou autorização para editar um ato administrativo para que os policiais que estão em desvio de função voltem para o quadro da Sesp.

Em contrapartida, Almeida César recebeu do governador a tarefa de baixar os índices de criminalidade no Estado que, ao contrário de São Paulo e Rio de Janeiro, por exemplo, só vê as estatísticas aumentarem.

“Não tem fórmula mágica, ninguém faz nada sozinho. O Capitão Nascimento (do filme Tropa de Elite) é um personagem de ficção, a única coisa que tem de real é a mesma indignação que a gente tem. É preciso de três eixos de integração (Paraná, União e municípios), uma união de esforços técnica e apartidária”, acredita o secretário. “O exemplo do Rio de Janeiro é a maior prova de que só a integração das forças funciona para um resultado efetivo, se não a gente só fica enxugando gelo”, compara.

Almeida César ressaltou a importância de uma parceira com o governo federal. “É preciso atuar de forma integrada para criar um cinturão de proteção no Paraná. Beto já confirmou que vai comigo a uma reunião em Brasília para sugerir ao governo federal um grande programa de parceria e mostrar que o Paraná quer estender a mão, para não ficar aquela briga”.

Durante a campanha eleitoral, a presidente Dilma Rousseff (PT) falou em reforçar o policiamento e a vigilância aérea da região de fronteira. Com os estados vizinhos de Mato Grosso do Sul e São Paulo, o secretário quer propor um trabalho conjunto para a formação de oficiais de ligação nos três estados.

Da sua experiência enquanto delegado da Polícia Federal (PF), Almeida César pretende implantar na Sesp a regularidade de concursos públicos, para suprir o déficit de policiais, compromisso de Beto durante a campanha. “Anualmente a baixa na Polícia Militar é de 700 profissionais. Não adianta simplesmente repor esse número, precisamos aumentar o contingente”, disse.

Almeida César ainda não tem detalhes de como vai ser a atuação do Batalhão de Operações Especiais (Bope) paranaense, grupo que formava a Companhia de Choque da Pol&iacute,;cia Militar e que foi transformado em Bope pelo ex-governador Orlando Pessuti (PMDB) nos seus últimos meses de mandato. “É uma unidade importante, para intervenções pontuais, porque não pode ficar banalizado. Vai ter todo o apoio e condições de trabalho”, finalizou o secretário.