Defensor histórico do parlamentarismo como regime político mais condizente ao Brasil, o secretário-geral da Presidência da República, Euclides Scalco, voltou a citá-lo hoje em Curitiba como o modelo ideal para o futuro, talvez até para o sucessor do próximo presidente da República. Para conduzir essa discussão, Scalco acredita que José Serra (PSDB), eleito presidente, teria mais condições que o candidato do PT, Luiz Inácio Lula da Silva, que é presidencialista.

“O parlamentarismo é o regime que tem a participação mais efetiva dos representantes do povo”, argumentou Scalco, durante solenidade em que recebeu o prêmio Personalidade da Associação das Empresas da Cidade Industrial de Curitiba. “O eleitor será induzido, neste regime, a votar no partido que tenha a melhor proposta.” Ele acredita ainda que o parlamentarismo oferece mais possibilidades para se vencer crises políticas e econômicas por ter maior flexibilidade na mudança de lideranças.

Falando a dezenas de empresários e políticos que foram prestigiar a solenidade, o secretário da Presidência da República, mesmo dizendo que não tinha ido ali proselitismo eleitoral, afirmou que “o país não pode mudar de rumo”. “As eleições vão marcar o futuro do País e a responsabilidade é também dos empresários”, disse. Segundo ele, o prestígio internacional conseguido pelo País não pode ser perdido.

Para ele, no entanto, o sucesso ou fracasso da economia brasileira não depende de uma vitória da situação ou da oposição. “A declaração do Soros (George Soros, megainvestidor americano, para quem o Brasil mergulharia no caos caso elegesse Lula), por exemplo, é absolutamente estapafúrdia, inconseqüente neste momento”, disse. “Não há que entender porque haverá alternância de poder o Brasil vai quebrar”, salientou. “Quem ganhar a eleição, oposição ou situação, terá a responsabilidade de conduzir o País dentro das normas de superação das dificuldades.”

Scalco defendeu ainda o financiamento público das campanhas políticas. “É um dever do Estado garantir a democracia através do melhor processo possível”, opinou. Mas, segundo ele, a reforma política deveria apresentar limites na representação nas Assembléias Legislativas e Câmaras, evitando que micropartidos se transformem em “partidos de aluguel”.