Horas antes de receber um ultimato de um grupo de parlamentares para promover no prazo de uma semana a eleição de um novo diretor-geral para o Senado, ontem, o presidente da Casa, José Sarney (PMDB-AP), repetiu o discurso do dia anterior: lançou mão novamente de sua biografia para tentar escapar de denúncias que atingiram a sua imagem e a do Senado.

Ele começou o dia de ontem em uma solenidade na sala contígua a seu gabinete, onde foi lançada uma campanha publicitária para melhorar a imagem do Congresso. Sarney não disse sequer uma palavra sobre reformar a estrutura administrativa do Senado, que permitiu a proliferação de atos secretos. Mais tarde, já no plenário, foi frontalmente cobrado por senadores, que clamam por mudanças imediatas na Casa.

Mergulhado em denúncias de atos secretos, entre os quais as nomeações de parentes para cargos no Senado, Sarney voltou a dizer que o Congresso é o “coração da democracia” e que os parlamentares “são transitórios”. Ele defendeu ainda que os “maus parlamentares” sejam combatidos. Ao lado do presidente da Câmara, deputado Michel Temer (PMDB-SP), Sarney afirmou também que os parlamentares têm a “função de sofrer mais do que os outros ao tomar restrições todos os dias”.

Em seu discurso, Temer prestou solidariedade ao presidente do Senado. Disse que o Poder Legislativo é o “mais aberto e, por isso, o Poder saudavelmente mais aberto à crítica”. O presidente da Câmara ponderou que o País atravessa “um período de absoluta normalidade democrática”. A solenidade foi assistida por integrantes da Mesa Diretora do Senado e da Câmara e servidores.