O presidente do Senado, José Sarney, o último dos coronéis, rendeu-se diante de tantos escândalos. De acordo com a revista Veja, na semana passada, o senador disse ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva que está cansado e que decidiu deixar o cargo. “Não aguento mais. Vou negociar uma saída”, teria afirmado, de acordo com um interlocutor privilegiado do presidente Lula e conforme divulgado pela revista.

A conversação teria ocorrido na segunda-feira, pelo telefone, quando o presidente ligou para saber notícias sobre o estado de saúde de Marly Sarney, esposa do presidente do Senado, que se recupera de uma cirurgia em São Paulo.

Desde o início da crise, Lula se empenhou pessoalmente na defesa do presidente do Congresso, sem qualquer pudor, a ponto de desautorizar o líder do PT, senador Aloizio Mercadante, que havia pedido o afastamento do presidente do Congresso.

Futuro

O presidente, o PMDB e seus aliados já começaram a discutir o futuro do Senado pós-Sarney. Caso Sarney renuncie, o Senado se obrigaria a convocar novas eleições em cinco dias, evitando que a Casa ficasse sob o comando do vice-presidente Marconi Perillo, do PSDB. O PMDB quer continuar com a presidência, mas tem dificuldades em encontrar um candidato que seja da absoluta confiança do partido e que tenha a ficha limpa.