Cinco deputados federais que integram a frente parlamentar pró-armas receberam, nas eleições de 2002, doações de fabricantes de armamentos e munições. No total, esses deputados, que serão responsáveis pela campanha contrária ao desarmamento, receberam R$ 170 mil do setor. O levantamento foi realizado pelo gabinete do deputado federal Dr. Rosinha (PT-PR) junto ao TSE (Tribunal Superior Eleitoral).

 No próximo dia 23 de outubro, os eleitores brasileiros irão às urnas responder à pergunta: "O comércio de armas de fogo e munição deve ser proibido no Brasil?" Caso o "sim" seja a resposta da maioria, o comércio desses produtos ficará proibido. Denominada "Frente Parlamentar Pelo Direito à Legítima Defesa", a frente pró-armas ? também conhecida como "bancada da bala"? é presidida pelo deputado Alberto Fraga (PFL-DF). Em 2002, o pefelista recebeu uma doação de R$ 60 mil da Companhia Brasileira de Cartuchos (CBC). Outro integrante da frente pró-armas que recebeu verbas da CBC é Josias Quintal (PMDB-RJ), ex-secretário estadual de Segurança Pública. Foram R$ 40 mil, segundo dados do TSE.

A Taurus, por sua vez, fez doações a dois outros membros da frente parlamentar: os gaúchos Pompeu de Mattos e Enio Bacci. Ambos filiados ao PDT, receberam R$ 10 mil cada. O quinto membro da frente beneficiado por doações de fabricantes de armas é o deputado Luiz Antônio Fleury Filho. O ex-governador paulista (1991-94), em cuja gestão 111 presos do Carandiru foram mortos pela PM, recebeu R$ 50 mil da CBC. A doação a Fleury foi feita por via indireta, pela empresa geradora de energia Enguia, que integra a mesma holding da fabricante de cartuchos, o Grupo Arbi.