A presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), ministra Rosa Weber, destacou neste domingo, 7, que a democracia garante a liberdade de expressão aos cidadãos, ao ser indagada sobre as declarações do candidato Jair Bolsonaro (PSL), que questionou o resultado do 1º turno após a apuração indicar que ele disputará o segundo turno com Fernando Haddad (PT).

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“Preocupação sempre nós temos. Mas temos de enfrentar nossas preocupações com tranquilidade”, respondeu Rosa ao ser indagada se as afirmações do presidenciável não lhe causam preocupação.

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“Num Estado Democrático de Direito, o bom é isso: que as pessoas possam se expressar. Vivemos numa democracia, as pessoas têm o direito de emitir suas opiniões”, completou a presidente da Corte Eleitoral. Em transmissão ao vivo, Bolsonaro disse que “se tivéssemos confiança no voto eletrônico, já teríamos o voto do futuro Presidente da República decidido no dia de hoje”.

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Fake news

Quando perguntada se o TSE não teria “subestimado” o impacto das chamadas fake news no decorrer das eleições, a ministra respondeu que o tribunal não desconhecia que “havia possibilidade de fake news”. Rosa observou que o Brasil não estaria “imune a notícias falsas”, considerando que as redes sociais são “extremamente atuantes” no território nacional. A ministra também reafirmou, como vem fazendo, que o sistema eletrônico de votação é “auditável”.

“Estávamos nos preparando para debruçar sobre o problema”, disse Rosa, acrescentando que o TSE irá atuar em torno da disseminação das notícias falsas a partir de “impugnações formais”, ou seja, quando esses casos chegarem oficialmente à Corte Eleitoral.

“A justiça Eleitoral irá atuar, sim, a partir das impugnações formais que eventualmente venham a ser feitas. E, nessa hipótese, iremos atuar com rigor, como estamos fazendo até agora”, declarou Rosa.

Episódios

Durante a coletiva, o ministro da Segurança Pública, Raul Jungmann, disse que o governo recebeu diversas denúncias de fake news. O foco estava inicialmente em disseminação de boatos com mensagens sobre candidatos e partidos, mas depois chegaram rumores que questionavam a lisura do processo eleitoral.

Jungmann destacou três episódios que estão sendo apurados. Sobre o eleitor que gravou vídeo digitando o voto na urna com uma arma, Jungmann disse que foi identificada a seção do local de votação. Todos os eleitores que votaram naquela seção vão ser chamados para prestar depoimento.

O ministro também disse que foi periciada uma urna que se desligaria depois que o eleitor apertasse o número 1 no teclado. De acordo com Jungmann, a urna não apresentou nenhum tipo de disfunção, mas mesmo assim foi afastada.

Por fim, o ministro destacou um episódio envolvendo policiais militares de Brasília, que afirmaram que antes mesmo do início da votação, uma das urnas já tinha votos inseridos.

De acordo com Jungmann, a urna foi recolhida pela Polícia Federal, que ouviu os policiais e o mesário.

A presidente do TSE destacou a possibilidade do tribunal “proceder a verificação dos equipamentos para apurar alguma falha, alguma fraude”.

“Essa é a nossa confiança, é a nossa segurança, e é por isso que me sinto tão tranquila. Já disse e repito: as fraudes fazem parte dos processos em que seres humanos estão envolvidos. O que importa é que, uma vez denunciadas (fraudes), elas possam ser apuradas e que as irregularidades possam ser sanadas”, disse Rosa.

Sub judice

Rosa ainda prometeu que a Justiça Eleitoral atuará com celeridade para dar uma resposta definitiva sobre os registros de candidatos sub judice, ou seja, que foram alvo de contestações.