Ao tentar colocar as finanças do Distrito Federal em ordem, o novo governador do Distrito Federal, Rodrigo Rollemberg, terá como objetivo político paralelo se consolidar como uma liderança política no seu partido, o PSB, sob a vitrine do ajuste fiscal.

A ideia é reorganizar as finanças e tirar as principais promessas do papel para mostrar que a sigla tem capacidade de gestão.

Depois de eleger seis governadores em 2010, o PSB viu seu poder nos Estados ser reduzido: além do Distrito Federal, vai governar pelos próximos quatro anos Pernambuco e Paraíba.

A expectativa de Rollemberg é transformar sua gestão num exemplo de governança e preencher o vácuo de liderança nacional do partido após a morte do ex-governador de Pernambuco Eduardo Campos.

O ex-presidente nacional da sigla morreu em agosto do ano passado em um acidente aéreo na cidade de Santos, no litoral paulista, durante sua campanha à Presidência da República. Campos costumava usar como vitrine na campanha os resultados obtidos nos oito anos como governador de Pernambuco.

‘Providências enérgicas’

O presidente nacional do PSB, Carlos Siqueira, admite que o ajuste fiscal não será uma tarefa fácil para Rollemberg. “O Distrito Federal vai precisar de providências bastante eficientes e enérgicas para se transformar numa vitrine.”

Desde que assumiu o cargo na semana passada, Rollemberg tem anunciado uma série de medidas para tentar contornar o descontrole nas contas públicas. O novo governador culpa o antecessor, Agnelo Queiroz (PT), pelo rombo nos cofres públicos que pode chegar a R$ 3,5 bilhões.

No início desta semana a equipe econômica do novo governo convocou uma entrevista coletiva para anunciar que não teria condições de pagar os salários dos servidores, mas Rollemberg afirmou anteontem que tentará solucionar o problema até o fim da próxima semana. O governo tenta negociar com a União a antecipação de parte do Fundo Constitucional, mas ainda não recebeu uma resposta sobre o pedido.

Cortes

Entre as medidas colocadas em prática para reverter essa situação está a diminuição do número de secretarias – de 38 para 23 pastas – e a suspensão por quatro meses da compra de passagens aéreas, pagamento de diárias de viagem, participação em cursos, entre outros. Rollemberg também publicou um decreto exonerando todos os servidores que ocupavam cargos comissionados e colocou como meta cortar 20% dos gastos de custeio, como as despesas com combustível e telefonia.

Ciente da responsabilidade que tem pela frente, ele tem dito que “austeridade” será a palavra de ordem do seu governo. Para comandar essa política de arrocho, ele escalou como secretário da Fazenda Leonardo Colombini, que desde 2010 desempenhava a mesma função em Minas Gerais. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.