O deputado Ricardo Barros (PP) licenciou-se da Câmara Federal para percorrer todos os municípios do Paraná divulgando sua pré-candidatura ao Senado e elaborando seu plano de governo para ser colocado na mesa de negociação, quando chegar a hora de fazer alianças. Até o momento, o presidente do PP ainda não definiu por qual coligação e ao lado de qual candidato ao governo concorrerá. Em entrevista a O Estado do Paraná, Barros disse que tem bom trânsito com os três principais pré-candidatos ao governo estadual e que só depois das candidaturas definidas tomará a decisão que achar melhor para o partido, “sem nenhum constrangimento”.

O Estado – O senhor está percorrendo o Estado divulgando sua pré-candidatura ao Senado, mas ainda não sabe por que chapa irá concorrer. Quando o PP definirá seus aliados para as eleições de outubro?

Ricardo Barros – Eu estou fazendo o trabalho do Partido Progressista. Nosso partido, primeiro, reconhece que as candidaturas ao governo do Estado não estão definidas ainda, então, resolvemos fazer a caravana progressista, que vai aos 399 municípios do Paraná. E eu só termino isso lá no dia 21 de abril, quando vence minha licença não remunerada de deputado federal, para fazer a caravana. Só depois de um plano de governo pronto, no mês de maio, então, é que vamos, conversar com os candidatos a governador, porque a aliança que vamos fazer com outros partidos vai se basear no compromisso do candidato a governador com o plano de governo que o PP está fazendo ouvindo todos os municípios do Paraná.

OE – Dessas visitas, então, sairá um plano de governo. O que o PP já aponta como prioridades nesse plano?

RB – O fomento à pequena propriedade rural, o incentivo para a conservação e adequação das estradas rurais, pois a segurança para a retirada da safra é fundamental para encorajar o produtor rural a investir em sua propriedade. A questão da educação integral, o aumento do efetivo das policias militar e civil também são fundamentais. E ainda precisamos de obras de infra-estrutura, como ligações rodoviárias. Agora, estou visitando os municípios do Sudoeste do Estado e, aqui, a aduana de Santo Antonio do Sudoeste é um pedido importante que precisa ser atendido. Até agora não completei 20% dos municípios percorridos, então não posso assegurar as prioridades, mas, assim que terminarmos de percorrer todos os municípios, o PP terá uma clara posição do que ele não abrirá mão num acordo com o candidato ao governo.

OE – Nessas negociações com os outros partidos, sua candidatura ao Senado é negociável, ou ela já está definida?

RB – Minha candidatura ao senado está definida. Eu vou concorrer ao Senado, só não sei ainda em qual aliança, mas não há possibilidade de retorno. Já coloquei essa posição. A minha esposa, deputada Cida Borgheti vai assumir minha base eleitoral e concorrer a deputada federal. Nós estamos lançando outros candidatos a deputado estadual do partido lá em Maringá e eu vou concorrer ao Senado, agora vamos aguardar para ver em qual coligação.

OE – Nem uma possível indicação da deputada Cida Borgheti como candidata a vice-governadora não o faria mudar de ideia?

RB – Não, não é essa a prioridade PP, é o Senado. Na eleição passada, nós queríamos a vice e conseguimos, nessa, queremos o Senado e vamos conseguir.

OE – E para que sua candidatura ao Senado seja bem sucedida, qual é o quadro ideal?

RB – Sinceramente, estou aguardando a definição das candidaturas. Hoje, ninguém tem certeza de quem serão os candidatos ao governo do Paraná. E acho que nem tão cedo se terá certeza. A candidatura do PMDB, por exemplo, acho que só será definida nas convenções de junho. O PSDB tem disputa interna. No PDT, o senador Osmar Dias ainda depende de um acordo de coligações que ainda não está firmado. Ent,ão, eu vou aguardar. Não pretendemos, neste quadro que está agora, disputar o governo do Estado. Se o quadro mudar muito até poderemos pensar. Mas o objetivo é a candidatura ao Senado e o trabalho é a pré-campanha ao Senado e a caravana progressista, que consulta os municípios todos sobre o plano de governo. Estou buscando cumprir duas novidades da legislação eleitoral: a autorização da pré-campanha e a obrigação de se registrar um plano de governo junto com a candidatura. E quero ter esse plano pronto para que seja assumido pelo candidato que formos apoiar.

OE – Ser vice-líder do governo Lula e poder cair no palanque do José Serra (PSDB) caso venha a apoiar a candidatura de Beto Richa (PSDB) ao governo, não seria contraditório?

RB – Não, porque já fui líder do Fernando Henrique, também. Nossa aliança no Paraná se dará em outra esfera, que é a esfera do plano de governo e da responsabilidade que o candidato a governador venha a assumir com nossos pedidos, os pedidos dos municípios do Paraná que estarão no nosso plano. Nós somos aliados do prefeito Beto Richa em Curitiba, onde temos o secretário de Esportes; somos aliados do governo Requião, o PMDB é o partido com que mais temos alianças municipais; e também somos aliados do senador Osmar Dias, que já apoiamos na eleição passada e o vice-prefeito de Maringá é do PDT. Então, temos bom trânsito com todos os candidatos e, além disso, sou vice-líder do governo em Brasília e tenho bom relacionamento com o PT. Então, o PP está confortável para tomar qualquer decisão sem nenhum constrangimento.

OE – Nas primeiras reuniões do senador Osmar Dias (PDT) o senhor participou de todas e discursou dizendo que Osmar era seu candidato ao governo e o senhor o candidato a senador desta chapa. O que faltou para que essa aliança fosse confirmada?

RB – Eu tentei, de fato, consolidar uma aliança no momento que entendi que era adequado, que era um ano atrás, mais ou menos, quando defendi que se tivéssemos defendido uma aliança mais ampla, nós caminharíamos com mais tranqüilidade. Quando percebi que não havia boa vontade dos demais partidos da base do governo Lula nessa aliança, percebi, também, que não era meu papel fazer essa articulação. Eu me afastei e deixei o PT, que é o partido do presidente Lula, liderar a articulação política no Paraná. E o PT está fazendo o trabalho que ele entende mais adequado, atraindo alguns partidos e afastando outros. Esse é o resultado que eu percebo e, a partir de um determinado momento, avisei o senador Osmar Dias que não poderia mais participar de suas reuniões. Até fui, ao lançamento da pré-candidatura do Beto, porque meus companheiros de partido me pediram que o partido estivesse representado naquele momento, pois temos dentro do partido vários simpatizantes da candidatura do prefeito Beto Richa. E, como presidente do partido, estou fazendo o trabalho que a Executiva me determina.

OE – O senhor disse que o PT atraiu alguns partidos e afastou outros. O PP foi um dos afastados?

RB – Não, nós estamos abertos para qualquer das soluções que possam se apresentar ao Paraná. Vou aguardar o desfecho das candidaturas ao governo, para podermos conversar com os candidatos com o nosso plano de governo nas mãos. Eu não tenho autorização do meu partido para ter preferência por qualquer uma das soluções. A orientação que tenho da nossa Executiva é aguardar a definição dos candidatos ao governo para depois iniciar as conversas.

OE – Na hora da conversa com os candidatos ao governo, além do plano de governo, o PP vai exigir algo quanto aos candidatos ao Senado, para dar uma boa condição a sua candidatura?

RB – Vamos aguardar a consolidação das candidaturas e depois colocar as condições do PP. O nosso plano de governo é fundamental, mas a coligação na proporcional e boas condições para nossa candidatura ao Senado também estarão entre as reivindicações do PP.