O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou hoje que a decisão tomada quarta-feira pela Organização dos Estados Americanos (OEA) de revogar a resolução de 1962 que excluiu Cuba de seus quadros mostrou que, “mais uma vez, prevaleceu o consenso” e foi construída uma proposta que atendeu aos “interesses de todo o mundo”. “É importante essa decisão tomada na OEA porque ela faz um reparo numa decisão tomada em 1962”, afirmou ele, no programa semanal de rádio “Café com o Presidente”.

Cuba foi suspensa da OEA depois que o governo do país manifestou a natureza socialista da Revolução Cubana e se juntou à União das Repúblicas Socialistas Soviéticas (URSS). “Tinham duas posições na OEA. Tinha uma posição dos Estados Unidos, que estavam dispostos a terminar com a sanção a Cuba e, ao mesmo tempo, exigir, no documento final, palavras que diziam respeito aos direitos humanos e à democracia, e existia outra posição de companheiros da Alba (Alternativa Bolivariana para as Américas), liderados pela Venezuela, pela Bolívia e pela Nicarágua, que queriam que não tivesse nada”, disse.

Mas, de acordo com Lula, prevaleceu a proposta brasileira, de aprovar a reparação a Cuba, anulando a resolução de 1962, permitindo que o país volte à OEA, “na hora em que quiser”. “Todo mundo concordou”, afirmou. “Agora, se os cubanos vão entrar ou não é outra história. Até agora, não tem sinal de que os cubanos queiram voltar à OEA. Mas, de qualquer forma, a porta e as janelas estão abertas para os nossos amigos cubanos.”

O presidente destacou a viagem que fez pela América Central, onde passou por El Salvador, Guatemala e Costa Rica. Segundo Lula, “há muito interesse nesses países, há uma vontade política de estabelecer essa parceria com o Brasil”. O presidente afirmou que, ao Brasil, não interessa somente ajudar o desenvolvimento desses países, mas também “adentrar” nos EUA, por meio deles, com produtos que seriam taxados se fossem vendidos diretamente do País. “É sempre uma porta aberta para o Brasil.”