Foto: João de Noronha/O Estado

O governador Roberto Requião e o presidente Lula irão se encontrar pela 1.ª vez na campanha eleitoral.

Uma pesquisa interna da coordenação da campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) mostrando que de cada dez eleitores do governador Roberto Requião (PMDB) sete votam pela reeleição do petista tem sido um dos argumentos usados pelo coordenador geral da campanha de Lula, Jorge Samek, para quebrar a estratégia da neutralidade do governador paranaense na sucessão presidencial.  

O naufrágio da aliança com o PSDB e o crescimento constante do presidente nas pesquisas de intenções de voto não conseguiram ainda alterar a posição do governador. Mas já começa a quebrar o gelo. Inicialmente, Requião não iria receber o presidente Lula na próxima quinta-feira, dia 24, em Foz do Iguaçu.

Segundo o secretário da Casa Civil, Rafael Iatauro, o governador estava com a agenda cheia e tinha que estar em Curitiba para a inauguração de uma exposição sobre o Japão na mesma hora em que Lula se reuniria com prefeitos e empresários em Foz do Iguaçu. Mas depois de uma conversa ontem com Samek, o governador disse que irá recompor sua agenda para estar com Lula. Originalmente, Requião seria representado por Pessuti na reunião com o presidente da República.

Será a primeira visita de Lula ao Paraná nesta campanha eleitoral, embora a coordenação de sua campanha informe que o presidente vem no exercício do cargo. Como candidato, sua agenda no Estado está prevista para setembro e deve ser centralizada em Curitiba, informou Samek.

É hora

Para o coordenador da campanha à reeleição do presidente, o grande eleitor de Requião no Paraná é o Lula. Ele ilustra a afirmação, citando os resultados das pesquisas internas do PT mostrando a proporção de eleitores que vinculam o voto entre os dois candidatos no Estado. ?Se eu fosse o Requião, já teria entrado na campanha do Lula na semana passada?, disse Samek, referindo-se ao desmonte oficial da aliança entre PMDB e PSDB pela direção direção nacional do partido, que obrigou Requião a alterar sua chapa, substituindo o tucano Hermas Brandão pelo vice-governador Orlando Pessuti.

Samek acha que, da mesma forma que Lula impulsionou a campanha de Requião em 2002, pode fazê-lo este ano. ?Nesse momento, novamente, Lula seria o grande eleitor dele no Paraná. Porque essa regra da verticalização não está na cabeça do eleitor. O eleitor vota de acordo com suas convicções?, afirmou.

Uma manifestação de Requião feita durante a semana, quando disse que não vota e nunca esteve com Alckmin foi ouvida por Samek como uma quase declaração de apoio a Lula. ?Para jogador de truco é quase como se fosse uma carta?, provocou o coordenador de Lula.

Mas a estratégia do governador tem sido a de agradar a todas as correntes que estão no seu palanque. Para não perder o apoio dos tucanos, que vieram para sua campanha pelas mãos de Brandão, que esta semana declarou apoio a Alckmin, Requião tem ficado neutro.

Roteiro

O presidente chega a Foz do Iguaçu no final da tarde de quinta-feira. Além da reunião convocada pela Associação dos Municípios do Paraná com os prefeitos e da Federação das Associações Comerciais com os empresários, Lula visita a Usina de Itaipu. Ontem, combinou com Samek que estica a permanência no Paraná até a manhã do dia 25, quando pediu a seu coordenador que organize uma reunião com representantes de todas as cooperativas do Estado.

O ponto alto da visita deve ser o anúncio da criação da Universidade do Mercosul. Samek ainda não tem certeza se o Paraná será contemplado, já que Rio Grande do Sul e Santa Catarina também estão disputando a sede da instituição, mas acredita que a infra-estrutura oferecida pelo Parque Tecnológico de Itaipu podem ser decisiva para a escolha do Estado.