No seu primeiro compromisso oficial, ontem, após o retorno da viagem ao Canadá, o governador Roberto Requião disse que o PMDB não deve ficar esperando pela sua posição sobre a sucessão municipal em Curitiba.

“O partido é que fala. Não sou eu. Aqui não é uma ditadura”, afirmou o governador sobre a queda-de-braço na convenção do PMDB de Curitiba, que está dividido entre a ala que defende o apoio à candidatura do deputado estadual Angelo Vanhoni (PT) e o grupo que prega a candidatura própria.

O governador evitou comentar os resultados da pesquisa de intenções de votos realizada pelo Ibope e divulgada na última quinta-feira, em que Vanhoni aparece em primeiro lugar, seguido de perto pelo vice-prefeito de Curitiba, Beto Richa (PSDB) e mostrou os pré-candidatos do PMDB, deputados Gustavo Fruet e Rafael Greca, longe das primeiras colocações. O governador afirmou que não acredita em sondagens do Ibope e que dispõe de uma outra pesquisa com resultados diferentes. Segundo Requião, alguns números do seu levantamento coincidem com os do Ibope e outros não.

No próximo final de semana, 23 e 24, o PT faz um encontro municipal para oficializar a aliança com o PMDB para a disputa em Curitiba. Já o PMDB estará reunido em encontro estadual, em Foz do Iguaçu, onde o grupo pró-candidatura própria promete lançar um manifesto contestando o apoio ao candidato do PT. A convenção municipal do PMDB ainda não está marcada.

Balanço

Hoje, na reunião do secretariado, o governador irá fazer uma prestação de contas da viagem ao Canadá. Os seis secretários que integraram a comitiva também farão um balanço das suas ações. No lançamento do programa “Casa da Família”, ontem pela manhã, Requião adiantou alguns dos resultados dos contatos que fez com autoridades canadenses.

Um dos acordos destacados pelo governador foi assinado com a província de Quebec. Conforme o convênio, com duração prevista de quatro anos, podendo ser prorrogado pelo mesmo período, o Paraná e a província canadense farão uma troca de projetos e experiências. “Seminários serão organizados, assim como conferências, exposições e feiras tanto no Paraná quanto em Quebec”, disse Requião.

O governador também vai detalhar a parceria com a Hydro-Quebec, empresa de energia elétrica do Quebec. A empresa enviará uma missão ao Paraná no próximo dia 24, para conhecer a Copel, o Lactec e analisar a possibilidade de firmar acordos de cooperação.

“A Hydro-Quebec é uma empresa indutora do desenvolvimento, que segura a economia do Canadá vendendo a energia canadense inclusive para os Estados Unidos”, afirmou Requião. “Se quiserem se associar conosco, colocar capital no desenvolvimento elétrico das linhas de transmissão, serão bem-vindos. Mas o domínio das empresas, o capital majoritário de qualquer negócio feito com o nosso Estado, tem que ser do povo do Paraná”, disse ontem o governador.

Requião também vai apresentar ao secretariado os resultados da visita ao Laboratório de Análise do Gado Leiteiro de Quebec.

Embaixador visita o Paraná

O governador Roberto Requião (PMDB) recebeu ontem o embaixador da Finlândia, Hannu Uusi Videnoja, e o cônsul honorário daquele país no Paraná, Joaquim Miró Netto. Segundo o governador, a Finlândia tem uma política florestal muito desenvolvida e que pode ser adaptada no Paraná. “A Finlândia é um grande produtor de papel e os convênios de pesquisa que já existem lá devem ser aprofundados”, afirmou.

Videnoja, que fez sua primeira visita oficial ao Paraná nesta segunda-feira, informou que 60% das áreas florestais da Finlândia são de pequenos proprietários e que o governo estimula esse modelo e as pesquisas na área. “Temos convênios entre universidades brasileiras e finlandesas e estamos dispostos a disponibilizar as experiências de sucesso que tivemos”, disse.

Requião destacou ainda o fato de a Finlândia ter contido o processo de corrupção no país, o que impulsionou o desenvolvimento na nação. O governador também contou ao embaixador sobre o projeto de repovoamento da fauna aquática do Paraná e as ações judiciais para conter o valor das tarifas de pedágio no Estado.