| Foto: Agência Brasil |
| Requião mostra-se arredio a ceder aos apelos dos governistas de seu partido para compor-se com Lula. continua após a publicidade |
O governador Roberto Requião (PMDB) não está disposto a ceder aos apelos das lideranças peemedebistas que trabalham afinadas com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva para levar o PMDB a uma aliança com o PT na sucessão presidencial. Requião negou ontem, por meio de sua assessoria, que tenha reunião marcada hoje, ou nos próximos dias, em Brasília, para conversar com o presidente da República sobre a possibilidade de acordo com o PMDB para as eleições presidenciais deste ano.
Conforme os sites nacionais de notícias, o presidente Lula está convidando vários governadores do PMDB para discutir os acordos eleitorais deste ano. Ontem, Lula teria se reunido com o governador do Tocantins, Marcelo Miranda. Requião seria o próximo convidado do presidente da República.
Mas o governador do Paraná tem se mostrado arredio aos acenos dos senadores José Sarney (AP) e Renan Calheiros (AL) para participar de uma composição com os petistas em torno da possível reeleição de Lula. O Palácio Iguaçu atribuiu à pressão dos governistas a divulgação de informações sobre seu suposto encontro com o presidente para tratar do assunto eleição.
Conforme a assessoria, o governador tem interesse em ter uma nova audiência com o presidente da República, mas para tratar das reivindicações que fez a Lula durante a reunião mantida em fevereiro, quando pediu que o Paraná fosse retirado da lista de inadimplentes do Banco Central. Requião pediu a Lula uma solução para o impasse envolvendo os títulos podres adquiridos pelo extinto Banestado dos estados de Alagoas, Pernambuco, Santa Catarina e dos municípios de Osasco e Guarulhos, e que não foram resgatados. Com a venda do Banestado ao Banco Itaú, o governo do Paraná ficou com a dívida, que contesta judicialmente.
Requião disse a interlocutores que, junto a Lula, quer saber quais foram os encaminhamentos dados aos seus pedidos. Durante a audiência, que ficou famosa depois que o governador paranaense experimentou algumas sementes de mamona, Lula prometeu encontrar um saída para o caso dos títulos.
Neutro
Para o Palácio Iguaçu, a posição de neutralidade adotada por Requião em relação às prévias do PMDB tem encorajado os avanços da ala governista. A assessoria do governador acha que a decisão de Requião, que justifica não estar entusiasmado com nenhum dos dois pré-candidatos do partido, o ex-governador do Rio de Janeiro Anthony Garotinho e o governador licenciado do Rio Grande do Sul, Germano Rigotto, está sendo confundida com uma tendência de apoio à reeleição de Lula.
Mas o Palácio Iguaçu sustenta que Requião mantém seu apoio ao lançamento de um candidato próprio do partido à Presidência. E que o governador sente falta é de um programa de governo genuinamente peemedebista para se contrapor a petistas e tucanos.
Requião decidiu não emitir nenhuma orientação oficial para os peemedebistas do Paraná sobre o voto nas prévias do partido, marcadas para o próximo dia 19. Já recebeu Garotinho para uma conversa na semana passada, na Granja do Cangüiri, e conversa com Rigotto pelo telefone. Mas, aparentemente, deixará os convencionais do PMDB votarem livremente.
Mas os interlocutores de Requião acham que a neutralidade não combina com o perfil do governador paranaense e, até o dia 19, ele ainda vai tomar partido na disputa interna. Requião chegou a anunciar apoio a Rigotto, mas refluiu e cobrou do governador gaúcho a apresentação de uma proposta econômica para o País. (EC)