O governador Roberto Requião (PMDB) informou ontem, por meio da sua assessoria especial, que lamenta a decisão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva de demitir Carlos Lessa do comando do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). "Ele era um dos integrantes do governo que tinha uma visão clara e correta para o desenvolvimento do Pais. Uma visão que não está submissa ao Fundo Monetário Internacional (FMI) e ao capital financeiro internacional", comentou o governador.
Requião e Lessa possuem posições comuns há vários anos. Em 1993 (durante seu primeiro mandato como governador do Paraná), Requião, Lessa e um grupo de lideranças políticas do PMDB não alinhadas com o Palácio do Planalto escreveram um documento intitulado "Há um outro caminho", no qual fizeram duras críticas às políticas neoliberais adotadas pelo governo do então ex-presidente Fernando Collor de Melo.
Entre outras propostas, o grupo sugeriu a retomada do desenvolvimento econômico sustentado a partir da agricultura e da valorização das empresas nacionais. "Não era uma posição de submissão. Era uma posição de valorização do interesse nacional. Até hoje, estas posições estão sendo plenamente aplicáveis à realidade brasileira", disse o governador.
Anteontem em Curitiba, durante palestra que fez aos 34 prefeitos eleitos do PPS, Requião citou o presidente do BNDES como uma das "vozes lúcidas" do governo. O governador considerou que o ex-presidente do BNDES tinha posições alinhadas com o interesse nacional e com o crescimento econômico do Brasil. "Ele se opõe a uma visão neoliberal defendida por um segmento do governo que pensa apenas nos interesses do mercado", criticou Requião. Durante sua última viagem a Brasília, no final de semana, o governador do Paraná insistiu na permanência do ex-presidente do BNDES no governo.
A saída de Lessa foi decidida por Lula, assim como também a de Darc Costa, vice-presidente do BNDES. Um axiliar de Lula chegou a afirmar que "o Lessa é um cabra marcado para morrer" e que Lula teria confessado: "Não dá mais. O lessa não tem jeito". A notícia da demissão de Lessa foi divulgada na sexta-feira. O argumento para a demissão foi as freqüentes críticas de Lessa à política econômica de Lula e ao presidente do BC, Henrique Meirelles.