Foto: Allan da Costa Pinto

Assembléia na abertura dos trabalhos: deputados ouvem o longo discurso de Requião.

O governador Roberto Requião (PMDB) aproveitou ontem, 11, a solenidade de abertura do ano legislativo para declarar seu apoio à candidatura do ex-bispo católico Fernando Lugo, da Aliança Patriótica por Mudanças, na eleição para a presidência do Paraguai, marcada para o dia 20 de abril.

Ao final do seu discurso de cerca de uma hora e meia, realizado na tribuna da Assembléia Legislativa, o governador manifestou sua preferência por Lugo, justificando que estava ?matando? a curiosidade dos deputados sobre o assunto. A oposição propõe a criação de uma comissão especial para investigar a participação do secretário estadual de Comunicação Social, Airton Pisseti, na campanha de Lugo.

Requião disse que não vota no Paraguai, mas que isso não o impede de ter uma posição. Ele argumentou que, da mesma forma que torce por Lugo no país vizinho, se fosse eleitor americano, votaria no senador Barack Obama, que disputa as prévias do Partido Democrata, com a senadora Hillary Clinton. O governador do Paraná disse que participou do processo de redemocratização do Paraguai, a partir de 1989, realizando reuniões em sua casa, em Curitiba, com integrantes do movimento popular e social do país.

Ele também citou que é amigo do general da Reserva Lino Oviedo, adversário de Lugo, e que se empenhou pessoalmente para impedir que ele fosse preso no Brasil. Apesar da amizade, Requião disse que vota por uma proposta de mudança no Paraguai, representada pela candidatura do ex-bispo.

Sob censura

No seu pronunciamento de treze páginas, Requião voltou a protestar contra decisão do Tribunal Regional Federal, da 4.ª Região, que o proibiu de fazer criticas aos adversários políticos na programação da TV Educativa. O governador começou o discurso declarando que estava ?sob o signo da censura? e perguntou aos deputados se a transmissão do seu pronunciamento pela TV Assembléia poderia causar transtornos à emissora. Disse ainda que agradecia as manifestações de solidariedade, mas mencionou o que chamou de ?declarações a favor da censura? e o silêncio de entidades que deveriam ser as primeiras a se posicionar contra a medida. Uma das críticas foi dirigida à imprensa que, segundo o governador, dividiu-se entre o entusiasmo pela censura e a omissão.

Requião comentou que paga um preço pelas posições que assume. E que há um esforço de diversos setores para provocar uma indisposição entre ele, o Judiciário e o Ministério Público. Mas destacou que tem apreço e respeito pelas duas instituições. ?Que os intrigantes ensaquem a viola e vão açular em outra paróquia. Não afronto, confronto. Discordo e manifesto as minhas divergências?, declarou o governador.

No balanço que fez de sua atuação, desde o início do primeiro mandato, o governador recorreu às comparações com o governo do seu antecessor no cargo, o ex-governador Jaime Lerner (PSB). Um dos exemplos citados pelo governador foi o caso da Copel, afirmando que conseguiu salvar a empresa da falência em 2003, quando assumiu, ao rever e revogar contratos de compra de energia.

Requião encerrou o discurso oficial acusando a bancada de oposição e os veículos de comunicação de agir de forma irresponsável em relação ao seu governo. O governador disse que a oposição faz denúncias infundadas, divulgadas sem nenhum tipo de cuidado ou verificação. E que mesmo depois de comprovado o erro, nem os deputados de oposição nem a mídia reconhecem os equívocos. 

Oposição vai apurar a ligação de Pisseti

Elizabete Castro

Foto: Allan Costa Pinto

Rossoni: é pura ficção!

O líder da bancada de oposição, Valdir Rossoni (PSDB), e os deputados Ney Leprevost (PP), Plauto Miró Guimarães Filho (DEM) e Marcelo Rangel (PPS) confirmaram ontem que vão ao Paraguai apurar a extensão do envolvimento do governo do Paraná nas eleições presidenciais do país vizinho. Leprevost disse que o pronunciamento do governador Roberto Requião (PMDB) sobre o assunto ontem na Assembléia Legislativa não responde aos questionamentos principais. ?Ele disse em quem ele votaria. Mas não disse se há apoio financeiro à campanha do Paraguai e também não explicou a participação do secretário da Comunicação?, afirmou o deputado do PP.

O ponto de partida da oposição é uma reportagem publicada pela revista IstoÉ, denunciando que o secretário da Comunicação Social, Airton Pisseti, atua como coordenador de marketing da campanha do candidato oposicionista Fernando Lugo. A revista também menciona uma suposta operação conjunta entre o governo paranaense e o presidente da Venezuela, Hugo Chávez, para contribuir financeiramente com Lugo. Leprevost afirmou que os deputados pretendem procurar senadores paraguaios e o candidato Lino Oviedo para conferir as informações publicadas pela revista.

O secretário da Comunicação já confirmou sua participação na campanha, mas alega que se trata de um trabalho voluntário, sem remuneração. Ontem, após o discurso de Requião, em que manifestou apoio ao ex-bispo católico Fernando Lugo, Pisseti sugeriu que o caso está encerrado. ?Chega de gastar tinta e papel?, esquivou-se.

É o mesmo

O líder da bancada de oposição respondeu às críticas que o governador fez à atuação do bloco na Assembléia Legislativa. ?Não estamos aqui para concordar com os erros do governador?, reagiu Rossoni, que acusou Requião de apresentar dados fictícios sobre suas realizações no governo. ?Essas informações que os secretários passaram para ele não refletem a realidade. Foi um discurso virtual?, atacou o deputado tucano.

Rossoni também ficou irritado com as comparações feitas por Requião com os governos anteriores. ?O governador Roberto Requião sofre de uma curiosa patologia. Está há cinco anos no governo, já passou o primeiro ano de seu segundo mandato, mas continua fazendo campanha contra o governo que o antecedeu. Ele esquece que o governo anterior é o dele mesmo?, disse o líder da oposição, citando que vários dos integrantes do atual governo também pertenciam à equipe de Jaime Lerner (PSB).