A defesa do ex-diretor de Serviços da Petrobras Renato Duque, preso desde março na Operação Lava Jato, abriu mão de um pedido de habeas corpus feito em 1º de junho deste ano. Este é o indicativo mais preciso de que Duque está próximo da delação premiada. Por volta de 12h30 de quarta-feira, 5, houve a baixa definitiva do habeas corpus, em ação que o executivo responde por corrupção com outros 24 investigados, entre eles o ex-tesoureiro do PT João Vaccari Neto.

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A desistência do pedido de habeas corpus é uma das imposições ao investigado que negocia acordo de colaboração. Outra é a confissão. Ele deve, ainda, apontar em seus relatos nomes, provas e a estrutura hierarquica da organização criminosa – no caso, a que se instalou na Petrobras e em outras estatais para fraudes em licitações e propinas.

Em agosto do ano passado, o ex-diretor de Abastecimento da Petrobras Paulo Roberto Costa deu baixa no pedido de habeas corpus antes de acertar a colaboração. Primeiro delator da Lava Jato, Costa apontou os nomes de deputados, senadores e governadores que teriam sido beneficiários de propinas do cartel de empreiteiras que se instalou na Petrobras entre 2004 e 2014.

Segundo a força-tarefa da Lava Jato, o esquema se espalhou por unidades estratégicas da estatal, inclusive a Diretoria de Serviços, comandada por Renato Duque. O ex-diretor de Serviços foi preso no dia 16 de março na Operação ‘Que País é esse?’ – expressão que Duque usou ao celular, na manhã de 14 de novembro, em conversa com um de seus advogados, quando foi capturado pela primeira vez pela Polícia Federal.

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Na manhã desta quarta-feira, 5, Duque se reuniu pela primeira vez com a força-tarefa da Lava Jato do Paraná e de Brasília, na Superintendência da Polícia Federal em Curitiba, base das investigações da Lava Jato. A presença de procuradores que integram o núcleo da Procuradoria-Geral da República que investiga parlamentares na Lava Jato indica que o ex-diretor da Petrobras poderá citar políticos com foro privilegiado em sua delação.

Renato Duque e sua defesa estão aguardando a avaliação do Ministério Público Federal para saber se há interesse no acordo de colaboração. O ex-diretor é apontado como elo do PT no esquema de pagamento de propinas na estatal petrolífera. Ele teria sido indicado ao cargo pelo ex-ministro da Casa Civil José Dirceu (Governo Lula), preso na segunda-feira, 3, na operação Pixuleco, 17º capítulo da Lava Jato.

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Na terça-feira, 4, o delegado Igor Romário de Paula afirmou que as declarações de Renato Duque podem ter o mesmo impacto da delação de um outro ex-diretor da Petrobras, Paulo Roberto Costa (Abastecimento) – capturado em março de 2014. Costa tornou-se o primeiro delator da Lava Jato e apontou os nomes de deputados, senadores e governadores que teriam sido beneficiários de propinas do cartel de empreiteiras que se instalou na Petrobras entre 2004 e 2014.