O anúncio de que o governo do presidente em exercício Michel Temer vai recriar o Ministério do Desenvolvimento Agrário (MDA) desagradou aos nomes da bancada ruralista do Congresso.

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Para o líder do DEM no Senado, Ronaldo Caiado (GO), a volta da pasta, que cuida de temas como a reforma agrária, vai de encontro ao discurso de austeridade adotado por Temer quando ele assumiu o governo em maio, após o afastamento da presidente Dilma Rousseff do cargo.

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“O governo assumiu com um compromisso de fazer cortes, ter uma contenção de gastos. Mas hoje você encontra situações completamente diversas daquele que foi o compromisso, com a recriação de ministérios e reajuste para servidores”, disse Caiado.

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Para o parlamentar, a pasta foi criada pelo ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva por “questões ideológicas” e para contemplar setores ligados ao PT. “Talvez porque o PT e PMDB estiveram na mesma chapa por muito tempo, essa ideia, que eu acho equivocada, contaminou o PMDB. Mas eu acho que o Temer poderia se livrar desse tipo de contaminação ideológica”, acrescentou.

Pressão

Desde que decidiu transformar a pasta em uma secretaria subordinada à Casa Civil, o Palácio do Planalto vem sendo pressionado por movimentos sociais para recriá-lo e também por partidos aliados, como o Solidariedade, que não ganhou uma cadeira na Esplanada.

Em junho, o deputado Paulinho da Força (SD-SP) intermediou um encontro entre Temer e o ex-líder do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) José Rainha Júnior, no qual o ativista pediu a Temer a recriação do MDA.

Anteontem, o ministro da Casa Civil, Eliseu Padilha, anunciou que Temer havia decidido recriar o MDA após tomar ciência das pendências e do tamanho das questões que a pasta possui. Segundo o ministro, o presidente em exercício decidiu que era preciso alguém para pensar 24 horas no tema com “patamar de ministro”.

A mesma opinião de Caiado tem o deputado Onyx Lorenzoni (DEM-RS), para quem o retorno do MDA é “absolutamente desnecessário”. “Já tem ministério demais no Brasil.”

O deputado Nilson Leitão (PSDB-MT) também criticou o retorno do ministério. “Ceder a esse tipo de pressão, antes de discutir a política do setor, é uma notícia desnecessária para um período de turbulência como esse”, disse.

Apesar da resistência de uns, outros, como o deputado Marcelo Castro (PMDB-PI), integrante da Frente Parlamentar da Agropecuária, apoiam a iniciativa. “O governo acerta. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.